Festa do Bom Senhor Jesus de Iguape 2016 : Explosão de fé no Vale do Ribeira

Por Erika Oishi

A histórica cidade de Iguape, litoral sul de São Paulo, promoveu entre os dias 28 de julho e 6 de agosto a segunda maior festa religiosa do estado de São Paulo, Festa do Bom Senhor Jesus de Iguape, que esse ano contou com a presença de aproximadamente 350 mil pessoas.

A festa conta com inúmeras tradições que relembram a importância da imagem do Jesus de Iguape para a cidade, como a repetição de seu banho nas águas da Fonte do Bom Senhor, assim como ocorreu originalmente em sua descoberta. O ato se deu após o início da primeira procissão da festa, na manhã do dia 28 após a tradicional recepção da chocolatada aos romeiros, na Praça da Basílica.

Esse ano, a festa recebeu 3500 romeiros a cavalos divididos em 31 grupos, 2000 motoqueiros divididos em 3, 800 ciclistas em 10, 756 caminhantes divididos em 25 e por fim, 85 romeiros em 5 grupos de barcos. A grande maioria vindos de cidades distantes em busca da benção do Bom Senhor, o que sempre causa muita emoção para todos os presentes. Além desses, outros momentos marcantes foram as novenas às 19 horas; as missas campais e procissões de Nossa Senhora da Neves na sexta feira e do Bom Jesus no sábado.

No encerramento no dia 6, uma grande queima de fogos aconteceu no morro do Cristo, de onde puderam ser vistos por todos os pontos da cidade e em especial da Praça da Basílica, onde muitos compareceram para acompanhar o momento.

O sucesso de mais um ano da festa comprova a religiosidade das pessoas e o bom acolhimento da cidade que mostrou que a motivação religiosa ainda move e emociona.

Leia também : Fé e emoção marcam procissão em Louvor ao Bom Jesus de Iguape

Quilombolas do Vale do Ribeira mostram a recuperação de suas sementes tradicionais

“Sementes de Quilombos” é o segundo de uma série de três vídeos sobre o Sistema Agrícola Quilombola, e tem como tema a sua agrobiodiversidade, as razões do declínio da mesma e as estratégias colocadas em prática pelos quilombolas do Vale do Ribeira para a recuperação de suas sementes tradicionais.

 

Com os pés fincados na história. Revista Fapesp mostra as lutas das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira

Uma tradição renasce: mutirão de colheita de arroz. Na foto de Eduardo César, Leide Miranda Jorge

O dia a dia quilombola: Ana Maria Galácio com sua colcha de retalhos

Texto de Carlos Fioravanti

“Aqui fazemos duas coisas importantes.

Saímos do eu para trabalhar para o nós e saímos do meu para trabalhar para o nosso”, sintetizou Benedito Alves da Silva, mais conhecido por Seu Ditão, sentado sobre uma mesa de madeira baixa e grossa à frente do altar da igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no coração do bairro rural de Ivaporunduva, no município de Eldorado, em meio à maior área contínua de Mata Atlântica do país, no sudoeste paulista.

Sua voz calma espalhava-se pela igreja de paredes pintadas de branco.

Portas largas de madeira verde, com vigas de madeira reforçadas com placas de aço, construída pelos escravos e inaugurada em 1791.

À sua frente, no início da tarde do dia 11 de maio de 2015, estava um grupo de pré-adolescentes de uma escola de Uberaba, Minas Gerais, cercados por professores e monitores de camiseta laranja.

“O que é meu?

A casa, as roupas”, prosseguiu o homem alto de 60 anos, cabelos brancos, a pele negra lisa como se tivesse 30 anos menos.

“E o que é nosso? A terra.”

Seu Ditão divide o tempo entre cuidar de sua plantação de banana e hortaliças e falar de seu povo e responder às perguntas dos grupos de escolas que chegam quase todo dia.

Veja aqui a matéria completa da Revista Fapesp

ou faça o download aqui em PDF

Artesãos aprendem novas técnicas de produção e de design em Iguape/SP

ARTES

Vinte e cinco pessoas participaram do primeiro módulo da Oficina de Design para o artesanato, realizado na última quarta-feira, dia 15, em Iguape, no prédio da sede do Projeto “Gerando renda, motivando cidadãos”, patrocinado pela Petrobras.

A designer de moda Heloisa Paschon, graduada pela Faculdade Senac de São Paulo, iniciou a oficina propondo uma reflexão sobre o espaço onde funciona a loja da Associação de Artesãos e Produtores Caseiros de Iguape – AAPCI, sobre sua fachada, sobre como estão disponibilizados os artesanatos dentro do lugar e, ainda, sobre possíveis formas de se montar um espaço de modo a atrair maior público. Falou também a respeito de novas ideias de produção de peças e como melhorar as já existentes.
Nesta primeira oficina, Heloisa compartilhou algumas fotografias com os artesãos que mostravam diversas possibilidades para se montar uma loja (vitrinismo), bem como formas de disposição dos produtos para venda, entre outras relevantes dicas.
“O espaço da loja da AAPCI é muito bonito e a localização é privilegiada, mas é sempre importante apresentar novidades, buscando valorizar e demonstrar em cada peça a identidade cultural do artesanato local e o seu valor agregado”, afirmou a designer.
LOGO APA Oficina de Design para o artesanato terá ainda outros dois módulos, em maio e junho respectivamente, e as vagas são disponíveis, neste momento, apenas aos associados. No mês de maio a proposta da design é trabalhar o produto (artesanato), sua apresentação dentro da loja, nas mesas e estantes onde ficam expostos para venda e buscar novas formas de compor os ambientes para que se tornem ainda mais atrativos. A partir de junho, a atividade será mais especifica, por categoria de produto, com dicas de novidades para a produção do artesanato em si. Na ocasião, outra profissional da área de design também contribuirá com o processo.

“Aqui na região do Vale do Ribeira é muito difícil conseguirmos encontrar um profissional da área de design para nos orientar sobre a montagem do espaço de vendas e apresentar ideias para se trabalhar com a matéria-prima e, assim, desenvolver novas peças de artesanato”, comentou Cleide de Morais Carneiro, presidente da entidade, satisfeita com o resultado do primeiro módulo.

“Casa de Colono Japonês” – Série da SESC TV mostra a imigração japonesa no Vale do Ribeira em SP

casassHá 100 anos, teve início a imigração japonesa no Vale do Ribeira (SP) que mudou a paisagem do local. Os agricultores que chegaram para trabalhar nas terras da empresa colonizadora Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK) em Iguape, Registro e Sete Barras, trouxeram seus costumes e a tradição que se refletiu também em suas casas.

A série Habitar Habitat tem direção do jornalista Paulo Markun e do cineasta Sérgio Roizenblit. Durante oito meses, a equipe viajou por mais de 12.000 km e visitou 18 cidades de norte a sul do Brasil. Habitar Habitat é uma realização do SescTV, com produção da Revanche Produções e da Miração Filmes.

A tradição mantida pelos descendentes dos imigrantes japoneses está presente em altares que homenageiam os mortos, na música do taiko, o tambor japonês que os jovens ainda tocam, e na comemoração do Tooro Nagashi que acontece anualmente, em 2 de novembro, quando lanternas são lançadas em um rio com o nome dos antepassados.

Mas as mudanças também estão presentes em todo lugar. Habitar Habitat mostra cenas da missa em comemoração aos 84 anos da Igreja Anglicana de Registro, uma casa tipicamente oriental, onde os fiéis são cristãos, como explica a escritora Carmem Kawano. O arquiteto Vitor Hugo Mori explica o projeto de reforma da igreja.

A sede da KKKK era em Registro e ofereceu aos colonos locais a infraestrutura que precisavam para se instalar. Como proprietários das terras, os imigrantes construíram residências para durar muitas décadas utilizando as técnicas de elaborada carpintaria. A estrutura da casa japonesa é toda modular, em madeira, construída a partir da medida do ken, ou tatame. As peças são de encaixe, sem utilização de pregos, e seguem um projeto numerado. Podem ser desmontadas, transferidas do terreno, e remontadas novamente. O preenchimento das paredes é de barro, semelhante ao pau a pique brasileiro, e com um acabamento de argamassa.

O arquiteto Rogério Bessa explica o apogeu da colônia e a decadência que se seguiu com a Segunda Guerra e o fracasso das atividades agrícolas. No início, sair do Japão rumo ao Brasil era uma boa opção para os filhos não-primogênitos, mas a iniciativa da KKKK não deu certo pois o café não se adequou à região do Vale do Ribeira. Com a falência da KKKK e a repressão aos japoneses durante a Segunda Guerra, os colonos foram incorporados ao meio urbano e as técnicas construtivas foram deixadas de lado.

Construída no auge da produção de chá, a Casa Shimizu era moradia e fábrica no mesmo imóvel, mas hoje se encontra abandonada. A Casa Amaya também é de uma família produtora de chá, que fechou a fábrica, mas mantém o local. Os descendentes vivem em uma nova residência, mas esta segue a arquitetura ocidental. Outro exemplo registrado em Habitar Habitat é a Casa das Pedras, construída em cima de duas pedras que margeiam um rio.

Fantástico álbum da Imigração Japonesa entre 1913-1933, no Vale do Ribeira

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Clique na imagem para ir ao álbum, em PDF

Album Imigração Japonesa no Vale do Ribeira 1913-1933 foi pacientemente escaneado pelo arq. Victor Hugo Mori, um dos maiores especialistas em arquitetura rural japonesa do IPHAN, devido ao expressivo número de pessoas , parentes e amigos que buscavam mais informações sobre esse fato importante da história nacional e japonesa. Resolvemos disponibizá-lo neste blog no intuito de preservar e aguçar a memória dos que contribuíram para esta época magnífica e de muito estoicismo daqueles imigrantes que, sem falar o português, se aventuraram por terras brasileiras, por terras do Vale do Ribeira.

Ilha Comprida, no Vale do Ribeira, tem extensa agenda de shows no verão

 

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Aberto oficialmente no reveillon 31/12, o Ilha Verão 2015 prossegue até o Carnaval com shows e diversas atrações gratuitas nos palcos da Praia do Boqueirão Norte e no Espaço Cultural Plínio Marcos. A entrada para os shows é franca. A promoção é do município de Ilha Comprida. Acompanhe a agenda de shows:

Janeiro

Sexta – 09/01 – 23 h – Preta Gil
Sábado – 10/01 – 23 h – Thiaguinho
Domingo – 11/01- 21 h – Arrocha Mamãe
Sexta – 16/01 – 23 h – Pitty
Sábado – 17/01 – 23h – Jads e Jadson
Domingo – 18/01 –21 h – Adoração e Vida
Sexta 23/01 –23 h – O Rappa
Sábado – 24/01 –23 h – Edson e Hudson
Domingo- 25/01 – 21 h – Max Henrique
Sexta 30/01 – 23 h – Thales Roberto
Sábado – 31/01 – 23 h – Arlindo Cruz

Fevereiro
Domingo – 01/02 – 21 h – Marcelo Vox
Sexta – 06/02 – 23 h – Ira
Sábado – 07/02- 23 h – Daniela Mercury
Domingo – 08/02- 21 h – Jeferson Luiz e Júnior

Ilha Verão Cultural 2015 “Essências”

Com shows de grandes artistas da música popular brasileira e três bandas estrangeiras, o Ilha Verão Cultural 2015 “Essências” começa nesta quinta 8/01, às 18 horas, no Espaço Cultural Plínio Marcos, e prossegue até o dia 8 de fevereiro. Com entrada franca, os shows acontecem de terça a domingo, às 21 horas, mas o Espaço abre ao público a partir das 18 horas com muitas atrações: a Feira Regional de Artesanato Resgatando o Vale, alta gastronomia, exposição fotográfica e oficinas culturais.
Em ambiente totalmente climatizado e estrutura física especial, o Ilha Verão Essências traduz o ritmo da temporada na Ilha com um misto de natureza, aroma, substância, ritmos, música e emoção. Diferente dos anos anteriores, a Feira Regional de Artesanato Resgatando o Vale acontece em recinto externo. No interior do Espaço Cultural, haverá uma viagem pela natureza na exposição ”Retratos e Relatos”, do fotógrafo Del Carlos.
Acompanhe a programação musical. Com entrada franca, os shows acontecem às 21 horas.

08/01 – Quinta – Luiza Possi
09/01 – Sexta – Fábio Peron
10/01 – Sábado – Lil Jimmy Reed (EUA)
11/01 – Domingo – Funk Como Le Gusta
13/01 – Terça – Grupo de Choro Janelas e Beirais
14/01 – Quarta – Tina Still
15/01 – Quinta – Urbana Legion
16/01 – Sexta – Pedro Mariano
17/01 – Sábado – Vasco Faé
18/01 – Domingo – Marina Lima
20/01 – Terça – Marquinhos Machado Quarteto
21/01 – Quarta – Karina Buhr (Cantando Secos e Molhados)
22/01 – Quinta – Fúlvio Oliveira e The Wild Blues Band
23/01 – Sexta – Hamilton de Holanda
24/01 – Sábado – The Bambi Molesters (Croácia)
25/01 – Domingo – MPB4
27/01 – Terça – Sampando
28/01 – Quarta – Packaw e a Nave – Tributo a Cazuza
29/01 – Quinta – Jelly Roll Boys – Argentina
30/01 – Sexta – Luciana Mello
31/01 – Sábado – Ana Cañas
01/02 – Domingo – Paula Lima
03/02 – Terça – João Sabiá
04/02 – Quarta – Netto Pio
05/02 – Quinta – Rosa Passos
06/02 – Sexta – Grooveria
07/02 – Sábado – Roda de Choro ( Luizinho 7 cordas)
08/02 – Domingo – Simoninha

Serviço – O Espaço Cultural Plínio Marcos está localizado na Av. São Paulo , 1000, no Balneário Adriana. Abertura ao público- 18 horas – Shows às 21 horas. Mais informações pelo telefone (13) 3842 2124. Acompanhe o Ilha Verão no www.ilhacomprida.sp.gov.br / no facebook cidadedeIlhacomprida e no facebook Ilha Verão.

Eu nasci dez mil anos atrás…

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”  Os primeiros habitantes pré-históricos da região hoje conhecida como o Estado de São Paulo estavam aqui um ou dois milhares de anos antes do que se imaginava – aproximadamente dez mil anos atrás, sem paródia à música de Raul Seixas—e eram um povo singular, com uma identidade aindaem construção. Estavam a meio caminho entre o homem do mar e o homem do mato. A rigor, não eram uma coisa nem outra, provavelmente um híbrido dos dois. Sua vida social emulava certos comportamentos de moradores do litoral, mas seus traços físicos lembravam, em alguns casos, os de habitantes do interior do Brasil. Eram talvez um reflexo da geografia que os abrigou: viviam geralmente próximos às margens dos cursos de água de uma zona de transição ambiental entre o planalto e a costa, o vale do rio Ribeira do Iguape, no sul do Estado de São Paulo, perto do Paraná. Os membros dessa cultura, que estavam distantes do mar algumas dezenas de quilômetros, enterravam seus mortos e os cobriam com uma grossa camada de conchas, legando para a posteridade um tipo de vestígio arqueológico conhecido como sambaqui, típico das populações da costa. ”

Artigo sobre arqueologia publicado na Revista Pesquisa FAPESP, de junho de 2005 mostra um crânio encontrado em sambaqui de rio no Vale do Ribeira.

Veja aqui o artigo completo de Marcos Pivetta, em PDF > Eu nasci há dez mil anos atrás… – Revista FAPESP

Capoeira : Grupo Nosso Senhor do Bomfim realiza Torneio em Cananéia/SP

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Neste fim de semana, foi realizado o IV Torneio Interno de Capoeira, do Grupo de Capoeira Nosso Senhor do Bomfim com capoeiristas das cidades do Vale do Ribeira ( Cananéia, Iguape, Registro, Cajati,Eldorado e Pariquera-Açu) além de Curitiba e São Paulo. Mais de 100 praticantes abrilhantaram o Torneio que aconteceu no Ginásio Mario Covas, em Cananéia/SP.

O Grupo de Capoeira Nosso Senhor do Bonfim e a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Filhos de Cananéia desenvolvem um trabalho na cidade de Cananéia há mais de 15 anos, onde além de ensinar a arte da Capoeira, incluem em suas aulas: ritmos e danças, entre elas Maculelê, Puxada de Rede, Dança do Coco, Maracatu, Samba de Roda, entre outras divulgando sempre a Cultura Tradicional Brasileira.

Gente que vem…

foto: Renata Paiva

Da esquerda para a direita: Mauro Miyashita (Condephaat), Jennifer Abreu (Prefeitura de Iguape), Beto Bertagna (Escritório Técnico do Iphan) e Myrian Teresa (Casa do Patrimônio). foto: Renata Paiva

Esteve visitando a Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, o técnico do Condephaat, Mauro Miyashita. Na ocasião, foi realizada uma reunião informal com os técnicos do Iphan que atuam no Vale do Ribeira e da Prefeitura de Iguape , para discutir ações de fiscalização, em prol da defesa do patrimônio histórico. Em pauta também, as obras do PAC Cidades Históricas, bem como a restauração do Correio Velho, num convênio da Prefeitura com o Iphan.

Ilha Verão Cultural, no Vale do Ribeira, terá shows, gastronomia, cinema e teatro

Os shows e apresentações acontecem no Espaço Cultural “Plínio Marcos”, em Ilha Comprida, no Vale do Ribeira.  A abertura é dia 9 de janeiro, às 20 hs, com a XV Feira Regional de Artesanato tradicional “Resgatando o Vale” e Espaço Gastronômico com Festins com Chefs, Exposições de Artes Visuais, Cinema, Oficinas Culturais e Área de Recreação. O Período de visitação é  de 9 de janeiro a 02.02.2014, das 14h às 23h. Já as Oficinas Culturais acontecem de terça a sexta-feira das 15h as 17h30. Veja a seguir a agenda de shows:

09.01, Quinta-Feira 21h30 – Show com 14 Bis

10.01, Sexta-feira 21h – Show com Kenny Brown (EUA)

11.01, Sábado – 21h – Show com João Donato     ( Informe – Raul de Souza – que se apresentaria nessa data ,se recupera de uma cirurgia na perna e está impossibilitado de viajar de avião até completo restabelecimeto )

12.01, Domingo- 21h – Show com Quarteto Sentinela com a participação especial de Tavito

14.01, Terça-Feira 18h – Momento Literário – Tarde de Autografo com escritores da região 20h – Exibição de filme do Cinema Brasileiro 21h – Show com Toninho Cruz “Nas Cordas da Vida”

15.01, Quarta-feira 21h – Show com Blue Drop Quartet

16.01, Quinta-feira 21h – Show com Packaw e Nave “Tributo a Legião Urbana”

17.01, Sexta-feira 21h – Show com Lorenzo Thompson (EUA)

18.01, Sábado 21h – Show com Yamandu Costa

19.01, Domingo 21h – Show com Choronas

21.01, Terça-Feira 18h – Momento Literário – Tarde de Autógrafo com escritores da região 21h – Show com Janelas e Beirais

22.01, Quarta-feira 21h – Show Grupo Arismar do Espírito Santo Duo

23.01, Quinta-feira 21h – Show Kisser Clan

24.01, Sexta Blues 21h – Show  BicuDuCorvu Blues

25.01, Sábado Jazz 21h – Show  “Tributo a Trio Surdina”, com Ricardo Herz, Alessandro Penezzi e  Toninho Ferragutti

26.01, Domingo 21h – Show Bruna Caram

28.01, Terça-Feira 18h – Momento Literário – Tarde de Autógrafo com escritores da região 20h – Exibição de filme do Cinema Brasileiro 21h – Show com Choro Fino

29.01, Quarta-feira 21h – Show Grupo  Marquinhos Machado Quarteto

30.01, Quinta-feira 21h – Show com   Fernando Vidal Trio

31.01, Sexta-feira 21h – Show  Fulvio Oliveira & The Wild Blues Band

01.02, Sábado 21h – Show  com “Hermeto Pascoal e Grupo”

02.02, Domingo 21h – Show com “Beto Guedes”

14.02, Sexta-feira 20h – Abertura de Exposição de Artes Visuais Período de visitação de 15.02  a 06.03.2014, das 10h às 18h

Registro sediará oficina regional de capacitação do MinC nesta quinta, dia 21

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Nesta quinta-feira (21), a equipe da Representação Regional de São Paulo do Ministério da Cultura-RRSP, estará em Registro, no Vale do Ribeira, para conversar com fazedores de cultura da região. Na pauta estão os Editais Cultura 2014  e de Ocupação dos CEUs das Artes. O Cultura 2014 tem como objetivo contratar no mínimo 206 trabalhos artístico-culturais no intuito de promover a cultura brasileira no período da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Neste Edital, Pontos de Cultura, Pontões, Pontos de Leitura, Pontos de memória e Cine Mais Cultura podem organizar Circuitos Cultura-Viva. Já o Edital de Ocupação dos CEUs das Artes selecionará 80 projetos de ocupação que deverão acontecer durante seis meses nas unidades definidas para esta primeira edição. O objetivo dos CEUs é integrar, num mesmo espaço físico, programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, de modo a promover a cidadania em territórios de alta vulnerabilidade social.

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A atividade de capacitação gratuita é uma parceria da equipe do MinC com a Secretaria Municipal de Cultura de Registro e acontecerá no Centro de Educação e Cultura KKKK, que fica na Praça Beira Rio, às 19h30. Os interessados podem confirmar sua participação pelo comunicacao.sp@cultura.gov.br Para saber mais sobre o Edital Cultura 2014 clique aqui. Para saber mais sobre o Edital de Ocupação dos CEUs das Artes clique aqui. Mais informações pelo (11) 2766.4300

Minka e Patrimônio Imaterial : Palestras movimentam a Casa do Patrimônio

O museólogo Júlio Abe discorreu sobre o patrimonio imaterial do Vale do Ribeira

O museólogo Júlio Abe discorreu sobre o patrimonio imaterial do Vale do Ribeira

Um show de conhecimento, simpatia e simplicidade marcou a retomada das palestras técnicas apresentadas pela Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, neste último fim de semana. Utilizando como gancho as comemorações do Centenário da Colônia Katsura, os palestrantes arq. Victor Hugo Mori e museólogo Júlio Abe encantaram as pessoas presentes com conhecimento técnico e histórias simples do imigrante japonês que se fixou no Jipovura, em Iguape. Victor Hugo centrou sua fala na Minka, a casa rural japonesa que foi transplantada para o Vale do Ribeira.

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O arquiteto da Superintendência do IPHAN em São Paulo apresentou também ilustrações em Power Point MINKA 1 e MINKA 2 que podem ser acessados aqui . Na sequência, Abe chamou a atenção para o patrimônio imaterial e a necessidade das pessoas do Vale sentirem orgulho do lugar onde vivem. Convidou a todos também para o museu de rua, que foi apresentado no sábado, durante o lançamento da maquete da praça japonesa que será construída em Iguape. Um fim de semana de cultura, conhecimento e reflexão .

 

Deu na Gazeta Caiçara : Iguape >Primeiro Núcleo da Colonização Japonesa no Brasil : parte 4

pinga-que-foi-produzida-no-Por Rafael Peroni

Chegamos a última reportagem especial sobre os 100 anos da Colonização Japonesa no Brasil. Nas edições anteriores, contamos o surgimento da primeira colônia de japoneses (Katsura) em terras brasileiras, localizada no bairro do Jipovura, em Iguape; o rápido e animador desenvolvimento dos colonos; assim como o rápido declínio muito em virtude da Segunda Guerra Mundial e também da implantação de rodovias nos entornos de Iguape.

Nesta reportagem iremos falar sobre a decadência da Colônia, principalmente após os anos 60, quando a grande parte dos colonos deixaram o Jipovura para tentar a sorte em outras regiões do Vale do Ribeira e do Brasil.

“FUGA” PARA OUTRAS REGIÕES

Em 1968, 30 anos após o início da Segunda Guerra Mundial, na Colônia Katsura, que no seu auge chegou a abrigar centenas de pessoas, e mais de 35 famílias, moravam apenas nove famílias. Uma das poucas famílias que permaneceram no local foi a Yanaguisawa e a Tadano. O núcleo “Registro” e o interior de São Paulo e do Paraná foram um dos locais mais procurados pelos colonos que “abandonaram” o Jipovura.

Atualmente das famílias que chegaram à Iguape para se estabelecer no Jipovura, nove delas possuem descentes e membros que vivenciaram o dia-a-dia da Colônia. São elas: Yanaguisawa, Nakamura, Tadano, Nishidate, Ono, dentre outras.

JIPOVURA ATUALMENTE

Hoje em dia encontram-se apenas as ruinas do que um dia foi um dos principais bairros de Iguape.  O Rio Ribeira de Iguape assoreou e as grandes embarcações que por ali passavam deram lugar a pequenos barcos. Várias casas foram carregadas pelas águas do Ribeira.

TÍTULO DE BERÇO DA COLONIZAÇÃO JAPONESA

Em 2008, ano das comemorações do centenário da imigração japonesa para o Brasil, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, no dia 11 de janeiro, a lei 11.642/2008, de autoria do deputado Arnaldo Madeira, a qual concedia a Iguape o título de “berço da colonização japonesa no Brasil”.

Quem deu início ao processo de pedido de reconhecimento foi a comunidade Nikkei de Registro, porém após pesquisas foi  visto que Registro teve um papel fundamental na colonização japonesa , porém o título de “Berço” pertencia a Iguape. A cidade de Registro foi contemplada com o título de “Marco da Colonização Japonesa”.

COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO

No sábado (9), a comunidade japonesa, por meio da Associação Nipo Brasileira de Iguape, a partir das 10h, irá realizar uma série de atividades em comemoração aos 100 anos da Colonização Japonesa no Brasil. Durante todo o dia grupos japoneses se apresentarão na “Baixada”, próximo a Concha Acústica. Será realizada também o lançamento do projeto da Praça em homenagem ao Centenário. Júlio Abe, apresentará o museu de rua e fará um breve relato sobre a Colônia Katsura.

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Leia também >

Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte l

Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 2

Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 3

Livros para conhecer melhor o Vale do Ribeira : Cem anos da imigração Japonesa > História, memória e arte

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“Dos escritos emergem sentimentos múltiplos, de ´almas dilaceradas ´, cujas projeções nem sempre realizadas, apontam o desejo ´doido ´de retorno ao país de origem. E, ainda, a descoberta por esses sujeitos de um sentimento novo, de não saber qual é exatamente o seu lugar ; se o Japão, outrora real, que paulatinamente vai-se tornando uma construção de sua imaginação, ou o Brasil, o lugar de efetivas conquistas e realizações. Essas ´vidas em suspenso´também foram projetadas em seus filhos e netos, que ainda carregam as ambiguidades e os dilemas desse legado, sinalizando para identidades híbridas ( quase esfareladas). Isto é o que apreendemos dos vários textos que compõem este livro, tanto dos de cunho acadêmico, artístico, poético e literário, como das narrativas pessoais dos sujeitos envolvidos nesse processo”.  Zélia Lopes da Silva

Leitura recomendada > Este livro faz parte do acervo da Casa do Patrimônio Vale do Ribeira. 

Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 3

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Principal ligação entre a Colônia e Iguape era por barcos. Meio de transporte em 1940 . A Segunda Guerra Mundial e a implantação de rodovias na região afetaram diretamente o desenvolvimento da Colônia

Por Rafael Peroni

Nas duas primeiras matérias especiais da Série 100 de Colonização Japonesa no Brasil, contamos a história do surgimento e do desenvolvimento rápido e promissor da Colônia Katsura, instalada no bairro do Jipovura, em Iguape. Nesta reportagem iremos começar a abordar a decadência e o retrocesso dos núcleos de colonização.

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E O RETROCESSO

Após um desenvolvimento rápido e animador, a Colônia Katsura, já com três núcleos formados (Registro, Sete Barras e Iguape) viu todo o progresso ir por “água a baixo” com a chegada da Segunda Guerra Mundial em meados de 1938.
O Japão que já estava em guerra com a China na Segunda Guerra Sino-Japonesa na busca de anexar áreas da China ao seu território, entrou na batalha mundial ao lado da Alemanha de Hitler e da Itália de Mussolini, formando o Eixo.
Durante esse período a Companha de Imigração Kaigai Kogyo Kabushiki Kaixa (KKKK) viu-se obrigada a encerrar suas atividades no Brasil, fato que provocou um imenso retrocesso no núcleo, uma vez que deixou de subsidiar, ou financiar a Colônia Katsura. De acordo com historiadores, esse não teria sido o único motivo desse declínio. A implantação de rodovias na região provocou também uma mudança de meio de transporte, passando o transporte terrestre ser mais utilizado, fato que prejudicou o núcleo que dependia exclusivamente dos barcos para transportar seus produtos.
Com a remessa de produtos se tornou deficiente, vários proprietários optaram por se mudar do Jipovura. As embarcações já não mais atracavam no porto da Colônia. Em 1968, o núcleoKatsura que no seu auge chegou a ter 35 famílias residindo no local, passara a ter apenas nove famílias. As construções como o prédio do Correio, as Escola, a primeira Igreja Católica construídas por japoneses foram se deteriorando com o tempo, restando apenas um “botequim”.
As quotas da Companhia de Imigração foram vendidas e liquidada em 1945, quando foram vendidas todas as quotas dessa sociedade e também uma grande gleba de terras no Jipovura. A maioria das famílias japonesas ali radicadas foi obrigada a deixar o local e ir para Iguape ou para outras cidades da região ou do interior do Estado. Chegava ao fim, após breve surto de progresso, a história da primeira colônia de imigrantes japoneses que se instalou no país e que muito contribuiu para o progresso do Brasil.

REGISTRO

Como a Companhia de Imigração KKKK realizou seus maiores investimentos no núcleo que hoje seria na região de Registro, mas na época eram terras iguapenses, chegando a instalar um escritório de administração, o núcleo foi o que mais se desenvolveu. Em 1931 mais de 320 famílias já residiam no local, somando 1.403 pessoas. Ediferentemente dos japoneses do bairro do Jipovura, conseguiram se manter mesmo com a chegada da Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, a cultura do Chá se tornou o principal produto agrícola, seguido pela banana e abacaxi, desbancando o arroz, a cana-de-açúcar dentre outros. Esse quadro se mantém até os dias atuais.

BIBLIOGRAFIA
Iguape, Nossa Histórias – FORTES, Roberto
O Imigrante Japonês – História de sua vida no Brasil – T. A Queiroz, EDITOR

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Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 2

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Convite do governo japonês à Colônia Katsura

Por Rafael Peroni

Em nossa última edição demos início a uma série de reportagens para contar os 100 anos da Colonização Japonesa no Brasil. No primeiro “capítulo”, lembramos como tudo começou, e como e quando as primeiras 36 famílias chegaram e se instalaram no bairro do Jipovura, em Iguape. Agora iremos dar sequência nos fatos, abordando como foram os primeiros anos da Colônia Katsura.

AS PRIMEIRAS COLHEITAS E O DESENVOLVIMENTO DA COLÔNIA KATSURA

Os japoneses que aqui (Iguape) chegaram, logo deram início ao plantio do arroz, cultura que os técnicos da Companhia Colonizadora Takushoku Kaixa haviam previsto para o local. No primeiro levantamento estatístico realizado pela Colônia, entre 1914 e 1915, consta que foram destinados 3.962 alqueires para o cultivo do arroz.

Já na colheita seguinte a área destinada ao plantio mais que dobrou de tamanho, passando a 8.840 alqueires, e além do arroz, plantou-se também feijão e milho, esses para o próprio consumo.  Os rizicultores conseguiam entre 70 e 100 sacas de arroz por alqueire. No campo de demonstração “Jeremias Júnior”, os engenheiros agrônomos Massao Hashida e Katsumi Fujita experimentavam outras culturas como a cana-de-açúcar, batata, cebola, alfafa, algodão, soja japonesa e do bicho-da-seda.

Em 1915, novos colonos chegaram ao Jipovura, e a população era de 121 pessoas. Já em 1916 esse número subira para 136 indivíduos. O número de casas chegou a 20. Em 1917, já somavam 52 famílias na Katsura, totalizando 213 pessoas. O sucesso da Colônia, e os bons resultados na agricultura incentivaram os imigrantes japoneses que esperançosos passaram por uma mudança de mentalidade, e começaram a planejar a longo prazo, o que incluía a ideia de se instalarem permanentemente no Brasil, e não apenas conseguir dinheiro para voltar ao país de origem.

Esse segundo alguns historiadores foi o grande mérito da Colônia Katsura, do núcleo Iguapense. Ter sugerido pela primeira vez, aos imigrantes japoneses a possibilidade da fixação de residência no Brasil.

Em pouco tempo a Colônia Katsura transformou-se num dos principais centros produtores do Vale do Ribeira, e já possuía o próprio porto. A produção agrícola era avaliada em milhares de contos de réis. No Jipovura havia quatro engenhos de arroz, casas de comércio, agência de correio, escola, Igreja Católica e açougue. Na época os moradores de Iguape chegavam a ir até a localidade para fazer compras, em razão da variedade de produtos e o preço mais em conta.

O acesso ao Jipovura só era feito através do Rio Ribeira de Iguape. A 20 quilômetros do Centro Histórico, uma viagem que normalmente tinha tempo médio de uma hora, poderia demorar, às vezes, até cinco horas, pois os vapores da Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista eram muito lentos.

EXPEDIÇÃO

Em 1937, uma expedição arqueológica japonesa, chefiada pelo arqueólogo Dr. Kiju Sakai, nos meses de abril a junho, efetuou escavações no local, onde existiam vários sambaquis, ali deixados, milênios atrás, pelos indígenas que habitaram o Jipovura. Nessas escavações, trabalharam 176 pessoas e mais os jovens da colônia, sendo o custo dos trabalhos avaliado em 2:015$900 réis (dois contos, quinze mil e novecentos réis), com recursos liberados pelo governo japonês. Os resultados dessas escavações foram publicados por importantes entidades científicas do Japão e, recentemente, pelo Instituto Paulista de Arqueologia.

REGISTRO E SETE BARRAS

Quando os primeiro colonos vieram para a região do Vale do Ribeira, em 1913, Iguape abrangia boa parte da região, e os municípios de Registro e Sete Barras eram terras iguapenses. Em 1914, as três primeiras famílias se instalaram na região que hoje pertence a Registro. Quando a Companhia de Colonização no Brasil foi encampada pela Kaigai Kogyo Kabushiki Kaixa (KKKK), em 1919, a região que seria chamada de núcleo de Sete Barras foi somada ao núcleo de Iguape, porém a colonização ocorreu apenas no ano seguinte. Passando assim a serem três núcleos (Registro, Sete Barras e Iguape).

Em 1917, o núcleo de Registro já se mostrava o mais produtivo, atraindo milhares de pessoas. Já aportavam por lá 679 famílias e mais de 3 mil imigrante s. Nas terras que hoje pertencem a Sete Barras o número de famílias chegava a 329. Porém, vale ressaltar que até 1945 Registro pertencia a Iguape. Já Sete Barras esteve sobre domínios iguapenses até 1959.

BIBLIOGRAFIA

Iguape, Nossas Histórias – FORTES, Roberto
O Imigrante Japonês – Histórias de sua vida no Brasil – T.A. QUEIROZ

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Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil

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Em terras iguapenses, mas precisamente no bairro do Jipovura, chegavam há 100 anos as primeiras famílias japonesas para se estabelecer no Brasil foto : acervo/Rosalva Nobuko

Por Rafael Peroni

Contar 100 anos de histórias em apenas uma reportagem seria até uma afronta tamanha a importância da cultura japonesa para o Vale do Ribeira e para o Brasil. Por isso, a partir desta edição, até o dia 9 de novembro, traremos uma série de reportagens especiais que contam os 100 anos da colonização japonesa no Brasil. Uma história que teve início em Iguape com a Katsura Shokuminti (Colônia Katsura), fundada em 9 de novembro de 1913, no bairro do Jipovura.

O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO

Tudo começou em meados de 1913, quando foi constituída em Tóquio uma Companhia de Colonização do Brasil, a Brasil Takushoku Kaixa. O objetivo era estabelecer colonos japoneses para trabalharem com arroz no Vale do Rio Ribeira de Iguape. A política de emigração ganhava forças no Japão em função de o país passar por uma crise econômica, onde havia endividamento de trabalhadores rurais e escassez de terras cultiváveis.

O Brasil foi um dos poucos países que fez um tratado de amizade com os japoneses permitindo então que sua população viesse para trabalhar na produção agrícola. Em meados de 1913 partiu rumo ao Brasil um grupo formado por um engenheiro agrônomo, um médico e vários auxiliares, com a missão de percorrer as terras da nossa região (Vale do Ribeira) e prepará-la para receber os primeiros colonos.

Katsura foi uma maneira encontrada para homenagear o primeiro ministro japonês à época, Taro Katsura.  Aportaram inicialmente na colônia 36 famílias, dentre elas algumas que atualmente ainda residem em Iguape como: Yanaguisawa, Nishidate, Nakamura, Tadano, Hayashi, Ono, Takahira, dentre outras. Os japoneses previam que, após a instalação dessas famílias, além do arroz, seria possível explorar as terras para plantar outras culturas. Pretendiam plantar chá, e a indústria da seda.

Em 21 de outubro de 1913, o então presidente da Câmara Municipal de Iguape, José Sant’anna Ferreira, autoriza o prefeito Antônio Jeremias Muniz Júnior, a adquirir o sítio Jipovura para ser doado à Takushoku Kaixa, afim de ser uma área destinada aos primeiros colonos japoneses no país.

Participaram do processo de colonização o ministro de colonização do exterior, Dr. Rujiutaro Nagai; ministro do exterior Shibusawa Eiichi; embaixador japonês Dr. Kanitake Oura e Dr. Massagi Inoue, presidente da empresa Kagia Koguiu Kabuxiki Kaixa (KKKK).

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Em São João del-Rei / MG, Presidenta Dilma anuncia R$ 1,9 bilhão para PAC Cidades Históricas. Iguape é uma das cidades contempladas

Iguape foi uma das cidades contempladas com a verba do PAC Cidades Históricas foto: R.Stuckert/PR

Com um total de R$ 1,6 bilhão em obras de restauração, o que representa acréscimo de R$ 600 milhões em relação à previsão divulgada em janeiro, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a relação das ações que serão contempladas no PAC Cidades Históricas ao longo dos próximos três anos.
Além dos recursos para obras que serão destinados a 44 cidades de 20 estados brasileiros, outros R$ 300 milhões serão utilizados como linha de crédito para o financiamento de restauro e obras em imóveis privados localizados em áreas tombadas. O Programa do Governo Federal envolve, em sua formulação e implementação, os Ministérios da Cultura e do Planejamento e o IPHAN.
“Conhecer, respeitar e preservar as cidades históricas são requisitos para construirmos nosso futuro como nação democrática, civilizada e capaz de se erguer sobre os prórprios pés. Investindo no patrimônio Cultural estamos investindo em nós mesmos”, disse a presidenta Dilma Rousseff.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, e a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Jurema Machado, participaram da cerimônia, realizada nesta terça-feira, 20 de agosto, em São João del-Rei (MG).
A ministra Marta Suplicy destacou que “com o PAC Cidades Históricas, a gestão do Patrimônio Cultural ganha uma nova dimensão já que vai além da mera intervenção física nos monumentos protegidos uma vez que reforça o sentimento de pertencimento e de cidadania em relação aos símbolos de nossa cultura”.

Jurema Machado também comemora o anúncio ressaltando que “inserir o patrimônio no programa estratégico de desenvolvimento do governo e uma medida emblemática. Os investimentos – o maior volume já disponibilizado para o IPHAN em toda a sua trajetória – significam também mais vitalidade para os ambientes urbanos, tendo o patrimônio cultural como vetor de desenvolvimento”, conclui a presidenta do IPHAN.

Recuperação

O PAC Cidades Históricas, mais do que conservar imóveis tombados, privilegiará a recuperação de edificações destinadas a atividades que favoreçam a vitalidade dos sítios históricos. Entre as 425 obras, 115 serão em imóveis que abrigam equipamentos culturais, como teatros, cinemas e bibliotecas, além dos 39 que museus cujos edifícios também serão recuperados pelo Programa.

O sistema de fortificações do litoral brasileiro, valioso como patrimônio e como potencial turístico, será contemplado com nove das mais importantes fortalezas, entre elas a de Sao Marcelo, em Salvador (BA), a dos Reis Magos, em Natal (RN), e a de Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha (PE). Dando continuidade a uma estratégia que vem sendo adotada com sucesso pelo IPHAN para a dinamização das áreas tombadas, 11 edificações integrantes de campi de universidades públicas também estarão entre as restauradas.
 
O PAC Cidades Históricas dará especial ênfase ao patrimônio ferroviário, hoje sob tutela do IPHAN, com 24 obras que possibilitarão novos usos a estações e conjuntos ferroviários, como, por exemplo, os emblemáticos complexos de Paranapiacaba, em Santo André (SP), e de São João del-Rei (MG). Um vasto conjunto de igrejas tombadas, de valor artístico e cultural, também será preservado.
 
 
O modelo de desembolso do programa não prevê repasse integral às prefeituras, mas sim a liberação de recursos à medida em que as obras forem licitadas.
 
Os municípios selecionados nesta primeira etapa foram aqueles que preencheram uma ou mais das seguintes condições: possuir bens tombados em nível federal; ser declarados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade; possuir conjuntos urbanos em situação de risco ao patrimônio edificado; ou serem conjuntos urbanos que constituam marcos no processo de ocupação do território nacional.
A proposta do PAC Cidades Históricas é buscar a recuperação e a revitalização das cidades, a restauração de monumentos protegidos, o desenvolvimento econômico e social e dar suporte às cadeias produtivas locais, com a promoção do patrimônio cultural.
 
Dilma destaca potencial econômico de cidades históricas
 
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (20), na cidade histórica de São João Del Rei, em Minas Gerais, que tais municípios são uma “extraordinária” afirmação do Brasil e autoafirmação do povo brasileiro, além de terem grande potencial turístico e de geração de emprego e renda.
“Não tenho dúvida de que nossas cidades históricas são uma extraordinária afirmação do Brasil, uma extraordinária autoafirmação do povo brasileiro, chamariz para o turismo, para viagens culturais, gerando emprego e renda para a população e receitas para os municípios”, destacou a presidenta, ao anunciar o repasse de R$ 1,6 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas até 2015. Dilma lembrou que o programa tem como objetivos a preservação histórica e a geração de riqueza.
 
Além de R$ 1,6 bilhão em investimentos, Dilma anunciou uma linha de crédito de R$ 300 milhões para financiar obras em imóveis particulares localizadas em 105 cidades com áreas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
“Sabemos que a beleza e a riqueza dos bens públicos são ampliados se a totalidade do sítio histórico for preservada, daí porque, junto com a preservação dos bens públicos, criaremos uma linha de financiamento para a recuperação de patrimônio privado de grande relevância cultural e histórica.”
 
Na lista do PAC Cidades Históricas, estão municípios como as capitais da Paraíba, do Maranhão e do Pará, João Pessoa, São Luís e Belém, São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, Corumbá, em Mato Grosso do Sul,  São Luís do Paraitinga e Iguape em São Paulo. Segundo a prefeitura, São João Del Rei, a cidade escolhida para o anúncio dos recursos receberá R$ 550 mil para sinalização turística.
 
No discurso, Dilma ressaltou que o local da cerimônia não poderia ser mais adequado e mencionou os brasileiros ilustres nascidos na cidade: o ex-presidente Tancredo Neves, o escritor Otto Lara Resende, a beata Nhá Chica, filha e neta de escravos, e a poetisa Bárbara Heliodora, que recebeu o tratamento de heroína da Inconfidência. A presidenta lembrou que esteve em São João Del Rei no início da campanha presidencial. “Naquele momento, eu prometi que o Brasil teria um PAC das cidades históricas, e estou aqui para levar a cabo esse PAC.”

ISA lança livro Inventário Cultural Quilombola do Vale do Ribeira

O projeto do inventário teve início em 2009 com a capacitação de agentes culturais quilombolas para aplicar a metodologia do INRC (Inventário Nacional de Referências Culturais), elaborada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artísitico Nacional (Iphan). Depois de três anos de conversas,oficinas, entrevistas e filmagens, os resultados finalmente vêm a público por meio desta publicação. (Faça aqui o download)

O levantamento realizado identificou 180 bens culturais: 29 Celebrações, 24 Formas de Expressão, 23 Ofícios e Modos de Fazer, 75 Lugares e 29 Edificações. A incidência destes bens culturais foi analisada em cada um dos 16 quilombos. Os verbetes apresentados no livro trazem descrições e sínteses comparativas do material oriundo dos 16 territórios e permite visualizar recorrências e variações nos modos de fazer, nos nomes atribuídos localmente, nas ênfases a determinados aspectos do bem cultural.

Ao organizar e sistematizar os resultados desta pesquisa, buscou-se privilegiar as falas diretas dos sujeitos que contribuíram de forma decisiva para tornar acessível ao público em geral um pouco mais do cotidiano e da história dos quilombos. Os quilombolas são co-autores do livro. (Veja no final o quadro com um resumo de cada texto).

O projeto conta também com um registro audiovisual de 120 minutos de duração que foi lançado na ocasião do seminário final do projeto (Saiba mais).

Foi também neste seminário que as comunidades ali reunidas definiram que o sistema agrícola – formado por diversas práticas e conhecimentos ligados ao cultivo, além de expressões culturais associadas – consiste no bem cultural mais importante e compartilhado entre as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, sendo necessário, portanto, implementar ações para a sua salvaguarda. A solicitação de registro do sistema agrícola quilombola foi formalizada junto ao Iphan e o processo aguarda instrução para tramitar.

Patrimônio ameaçado

Uma parte considerável dos bens culturais quilombolas (37% ) encontram-se na condição de memória e ruína, ou seja, deixaram de ocorrer, ou ocorrem de maneira precária, fragmentada ou espaçada no tempo. Embora as mudanças façam parte da dinâmica cultural, o declínio de práticas estruturantes do modo de vida quilombola (como os puxirões de trabalho realizados em grande tarefas agrícolas) é motivada pela insegurança territorial e por uma legislação ambiental que proíbe a roça de coivara.

Há também conhecimentos tradicionais que são cada vez mais desvalorizados pelas gerações mais jovens, coincidindo com o advento das escolas. Como exemplo, pode-se indicar a fabricação de artefatos utilizados no cotidiano doméstico e a construção de casas com recursos da floresta, cada vez mais raros. As atividades de canoeiros, benzedores e curandeiros também estão neste conjunto.

Destaques

As celebrações identificadas revelam a influência do catolicismo popular na vida religiosa das comunidades. A corrida da Bandeira do Divino Espírito Santo é a celebração mais difundida. São também bastante comuns as festas em homenagem aos santos padroeiros (Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, São Miguel Arcanjo, São Benedito, São José, Bom Jesus, Santo Antônio, Santa Catarina, São Vicente de Paula e Santa Luzia). A procissão noturna da Recomendação das Almas que já foi muito praticada, hoje é celebrada em apenas duas comunidades (Saiba mais).

Diversas danças praticadas nos bailes de mutirão e bailes após as celebrações religiosas não ocorrem mais, ou ocorrem raramente. Dança do chapéu, cobrinha, macacada, rancheira e xote balanceado não são mais encontradas em nenhuma comunidade. O fandango batido resiste em duas comunidades, e a Dança de São Gonçalo é encontrada com vigor em dois quilombos de Iporanga. Os cantos de funeral (chamados incelências) embora conhecidos em muitos quilombos, não são entoados em nenhuma comunidade. Narrativas míticas, fábulas e histórias que integram a literatura oral das comunidades ainda são contadas pelos mais velhos, aparecendo como modo de transmissão de conhecimentos e entretenimento.

A categoria dos ofícios e modos de fazer consiste na mais íntegra das categorias do inventário, revelando a forte relação das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira com a atividade agrícola e de forma geral com atividades de produção da vida cotidiana (Saiba mais). Destacam-se a importância e difusão de bens culturais como: Modo de Fazer Roça, Processamento dos alimentos (arroz, milho, cana, mandioca), Ofício de artesão e Modo de fazer casa de pau a pique. Entre os bens culturais em declínio estão os ofícios de parteira e benzedor, a produção de canoas e seu uso como meio de transporte e para atividade de pesca.

Os lugares identificados como bem cultural veiculam significados e memórias inscritos no espaço territorial das comunidades. No conjunto, destaca-se a importância dos rios – Ribeira, Pilões, São Pedro, Pedro Cubas, Nhunguara e Peropava – e das áreas de cultivo, antigas e recentes, e caminhos de tropa, por onde perambulavam as pessoas antes da abertura das estradas de acesso aos quilombos. Apareceram também lugares como grotas, morros e pedras que servem de referência topográfica.

As edificações identificadas são aquelas que estão associadas aos bens imateriais inventariados e consistem em igrejas, casas de farinha e ruínas de obras edificadas no período da escravidão. Algumas comunidades incluíram também centros comunitários pela importância que eles assumem na condução de assuntos coletivos.

No livro, o  primeiro texto, “Comunidades Quilombolas e o Vale do Ribeira”, procura situar o Vale do Ribeira, de forma breve, contando a história de sua ocupação, a chegada dos negros trazidos da África para trabalhar como escravos na mineração, e posteriormente na agricultura. O surgimento dos primeiros quilombos que se configuram nos dias atuais em um verdadeiro corredor socioambiental com comunidades encravadas no meio da mais importante área contínua de remanescente de Mata Atlântica conservada do país.

O segundo texto, “Patrimonialização de bens culturais”, descreve a política pública de patrimônio imaterial, indicando diretrizes fundamentais para implementação de ações de salvaguarda e o reconhecimento público (do Estado e da sociedade) do valor patrimonial de conhecimentos e práticas tradicionais.

O terceiro texto, “O inventário passo a passo”, descreve as razões dos quilombolas para a construção e implementação do projeto para o inventário. A metodologia participativa aplicada para a coleta, validação das informações, tomada de decisões e os encaminhamentos após os resultados validados.

O quarto texto, “Panorama do patrimônio cultural quilombola no Vale do Ribeira”, apresenta a situação atual dos bens culturais quilombolas levantados nas 16 comunidades participantes do projeto a partir de sua condição, seguindo a classificação definida pela metodologia do INRC-Iphan, segundo seu estado de conservação: íntegro, memória ou ruína. Chama a atenção o fato de que a maioria dos bens culturais inventariados esteja classificado como íntegro. Por outro lado, é possível verificar que se trata de uma situação transitória, precária e com riscos, na medida em que muitos destes bens são conhecidos ou praticados por poucas pessoas das comunidades.

Os textos seguintes, organizados por categoria, apresentam verbetes com a descrição dos bens culturais identificados.
Na sessão anexa intitulada Bens culturais por comunidade, o leitor encontrará informações sobre os quilombos incluídos no escopo do projeto e a lista de bens culturais específica de cada comunidade.

O livro está disponível em formato PDF no endereço http://www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/publicacoes/pdf-publicacao-final_inventario.pdf

Veja os vídeos :