Unesco reconhece Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

A 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda acaba de aprovar a inscrição da Roda de Capoeira, um dos símbolos do Brasil mais reconhecido internacionalmente, na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A aprovação ocorreu na manhã desta quarta-feria, dia 26 de novembro, na reunião do Comitê, que acontece, em Paris. Agora a  Roda de Capoeira se junta ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE), e ao Círio de Nazaré (PA), já reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Segundo a presidenta do Iphan, a inscrição da roda de Capoeira na lista representativa promoverá o aumento de sua visibilidade desse, mas também de outros bens culturais relacionados aos movimentos de luta contra a opressão, sobretudo aqueles pertencentes às comunidades afrodescendentes. “A roda de capoeira expressa a história de resistência negra no Brasil, durante e após a escravidão. Seu reconhecimento como patrimônio demarca a conscientização sobre o valor da herança cultural africana, que, no passado, foi reprimida e discriminada”, conclui Jurema Machado.

Originada no século XVII, em pleno período escravista, desenvolveu-se como forma de sociabilidade e solidariedade entre os africanos escravizados, estratégia para lidarem com o controle e a violência. Hoje, é um dos maiores símbolos da identidade brasileira e está presente em todo território nacional, além de praticada em mais de 160 países, em todos os continentes. A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira foram reconhecidos como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan em 2008, e estão inscritos no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes, respectivamente.

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Entrevista: Arq. Darlan Firmato, consultor da Unesco junto ao Iphan/SP esclarece sobre as obras do PAC Cidades Históricas em Iguape

darlanO arquiteto Darlan Firmato é consultor contratado pela UNESCO, disponibilizado para o IPHAN/SP, como responsável pela análise de documentos pertinentes ao acompanhamento e execução das ações do PAC Cidades Históricas nas cidades de Iguape e São Luiz do Paraitinga. Darlan tem no seu currículo especializações em Computação Gráfica e Design de Produtos . É também gestor de projetos, com certificação internacional pelo PMI, e MBA em Gestão de Projetos, pela FGV, com 10 anos de experiência atuando em arquitetura, incluindo obras de restauro, a exemplo da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, primeiro hospital do Brasil e integrante da equipe da 3ª Etapa de Restauro do Conjunto Arquitetônico do Pelourinho, em Salvador/BA.

P : Darlan, uma curiosidade que a população de Iguape tem. Quando começam as obras ?
Sabemos que este é o ápice do trabalho e o grande anseio das pessoas, mas temos uma importante fase a ser cumprida, que é o planejamento destas obras, que passa pela formalização documental entre os proprietários dos imóveis e o Iphan. Depois a aprovação e licitação dos projetos e então, uma nova licitação para contratar as obras. O período máximo para conclusão das intervenções foi definido em três anos.

P : Há alguma prioridade no início das licitações ? Qual ?
Sim, em etapa anterior, o Iphan já providenciou o Projeto Executivo da antiga Casa de Fundição, que apesar de estar funcionando como Museu Histórico Municipal, precisa de melhorias e adequações funcionais e de acessibilidade e valorizar a relevância que este imóvel tem para o Brasil. Dessa forma, após validação dos documentos e liberação dos recursos, estaremos aptos para licitar a obra. O que deve acontecer até o primeiro semestre de 2014.

P: Quais os recursos destinados para cada prédio ?
Iguape foi contemplada com três intervenção: a antiga Casa de Fundição, com R$800.000,00(obra), o Paço Municipal, com R$3.350.000,00(projetos e obra) e o Sobrado dos Toledos, com R$ 4.257.000,00(projetos e obra)

P : Quais os critério de escolha para os três prédios ( Sobrado dos Toledos, Casa de Fundição e Paço Municipal) ?
Os imóveis foram alguns dos indicados pela Prefeitura Municipal, que após análise do IPHAN Nacional, priorizou estes imóveis para serem restaurados no âmbito do PAC Cidades Históricas 2. Tratam-se de importantes exemplares do patrimônio arquitetônico brasileiro, que devido a sua relevância foram escolhidos, neste momento.

P : Quem irá executar as 3 obras ?
As obras serão executadas pelo IPHAN/SP, através de licitações para os projetos e obras.

P: De acordo com a complexidade de cada restauração , qual deles deverá ficar pronto primeiro ?
Em função de já ter projeto definido e da obra ser menor, a antiga Casa de Fundição poderá ficar pronta antes dos outros imóveis.

P : Por quê o “Correio Velho” não foi incluído nas obras do PAC ?
O prédio do “Correio Velho” não foi incluído porque ele é objeto de um outro convênio do IPHAN com a Prefeitura Municipal de Iguape.

P: Qual os benefícios que estas obras trarão para a cidade e seus habitantes ?
Além da valorização do patrimônio, após restaurados, os imóveis promoverão a elevação da auto-estima da cidade e do seu povo, pela importância cultural e afetiva que os moradores de Iguape têm com estes prédios. O Museu será revitalizado e estará mais moderno e adequado para abrigar os bens, receber moradores e turistas, o Paço Municipal estará mais adequado para atender a população e os servidores municipais e o Sobrado dos Toledos, abrigará o novo Centro de Atendimento ao Romeiro, considerando a importância da Festa em louvor do Senhor Bom Jesus e Nossa Senhora das Neves e nos demais dias do ano, poderá ser solicitada pelos iguapenses ou por outras instituições para abrigar eventos de caráter público como apresentações e exposições, além de poder se tornar um ótimo ponto de encontro.Darlan-Firmato-2

Manual de preparação de candidaturas para o Patrimônio Mundial tem edição em português

O estudo, disponível em inglês e francês, pela UNESCO, agora possui versão em português e tem como objetivo tornar acessível ao público lusófono os conceitos, parâmetros e demais orientações relacionadas ao processo de inscrição de um bem cultural, natural ou misto à Lista do Patrimônio Mundial, no âmbito da Convenção de 1972.

Esse Manual de Referência está estruturado em cinco partes, incluindo informações sobre o conceito de Patrimônio Mundial, e as etapas para a formulação de uma candidatura e sua avaliação. O documento, além de ter sido editado em meio impresso, está disponível em meio digital no site da UNESCO no Brasil.

Existem muitas formas diferentes de preparar uma candidatura. A diversidade das estruturas administrativas e culturais vai necessariamente se refletir nas candidaturas.

Não seria adequado oferecer receitas ou recomendar um método de trabalho preferencial para a preparação de candidaturas. Há muitas boas formas de fazê-lo. No entanto, os órgãos consultivos consideram que existem alguns princípios básicos subjacentes que devem estar por trás de todas as boas candidaturas para garantir que os bens mais adequados sejam indicados, que os bens sejam representados da maneira mais eficaz possível dentro das candidaturas e que o próprio processo de candidatura contribua para a proteção, conservação e gestão efetiva do patrimônio natural e cultural:

  • ressaltar e explicar em termos simples conceitos-chave do Patrimônio Mundial;
  • enfatizar a atuação da equipe para o preparo de uma candidatura;
  • oferecer maior compreensão da abrangência do trabalho de preparação de uma candidatura;
  • oferecer informações e orientações sobre a compreensão do bem; e
  • orientar para o preparo do dossiê de candidatura ajudando a esclarecer as Orientações Técnicas.

O manual também oferece conselhos para propostas de extensão de um bem já considerado Patrimônio Mundial, já que uma extensão significativa é tratada como uma nova candidatura.

Este Manual serve principalmente para aqueles que estão envolvidos com o
desenvolvimento de candidaturas de bens para o Patrimônio Mundial. Ele também pode ser útil para a preparação de Listas Indicativas, e para outras iniciativas de listagem no patrimônio.

O manual pretende ser uma ferramenta para:

  • o aprendizado próprio;
  • oficinas de treinamento; e
  • instrução e educação.

Este manual é a tradução da segunda edição de seu original. A primeira
edição, de 2010, tomou como referência o título Operational Guidelines for the Implementation of the World Heritage Convention (2008). Este manual é baseado na nova versão das Orientações Técnicas (2011).

Até agora, este manual existe nas versões em inglêsfrancês e em português. Os títulos desta série são produzidos como documentos em PDF online, que podem ser acessados por download gratuito. Incentiva-se a reprodução gratuita/sem fins comerciais deste manual, conservando sempre os devidos créditos a sua fonte original.

Desde a adoção da Convenção do Patrimônio Mundial, em 1972, a Lista do Patrimônio Mundial vem evoluindo e crescendo continuamente. Com esse crescimento, surgiu a necessidade crucial de orientar os Estados-parte acerca da implementação da Convenção. Várias reuniões de especialistas e resultados de relatórios periódicos identificaram a necessidade de mais
treinamento focado e capacitação em áreas específicas nas quais os Estados-parte e os gestores de sítios listados como Patrimônio Mundial precisam de maior apoio. O desenvolvimento de uma série de manuais de referência do patrimônio mundial (World Heritage Resource Manuals) vem em resposta a essa necessidade.

A publicação desta série é um esforço conjunto dos três órgãos consultivos da Convenção do Patrimônio Mundial: International Center for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property1 (ICCROM), Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) (ICCROM, ICOMOS and IUCN) e do Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO como secretaria da Convenção.

fonte: Cadernos do Patrimônio.org