Iguape/SP , quase 500 anos de história no Vale do Ribeira

foto: B. Bertagna

Oficialmente, Iguape foi fundada em 3 de dezembro de 1538. A data de fundação atual foi estabelecida em 1938, pelo então Prefeito, Manoel Honório Fortes. O Prefeito  incumbiu uma comissão de historiadores paulistas, presidida pelo ilustre Afonso d’Escragnolle Taunay, para estabelecerem a data provável da fundação, sendo aceito o dia 3 de dezembro de 1538, baseados em documentos históricos que usam como referência a data de separação de Iguape e Cananéia.

Igreja de São Benedito foto: B. Bertagna

Praça Engº Greenhalgh, também conhecida como Praça São Benedito, local aprazível onde se encontra a antiga Fonte da cidade. foto: B. Bertagna

É uma simpática cidade, cheia de histórias e causos contados por seus moradores, ideal para se aventurar no seu passado, em passeios românticos por suas ruas estreitas e para conhecer as festividades religiosas e culturais, como a Festa de Agosto, que já são tradição. Iguape conta com uma boa infra-estrutura de hotelaria, pousadas e restaurantes.

Primeira Casa de Fundição de ouro do Brasil, hoje Museu Municipal de Iguape foto: B.Bertagna

Com uma previsão de mais de R$ 10 milhões em investimentos, o Sobrado dos Toledos (orçado em R$ 5.298.773,27) e o Paço Municipal (R$ 5.607.919,470), dois importantes edifícios da cidade de Iguape (SP), começaram a ser restaurados a partir de julho de 2019. As obras pretendem restabelecer a infraestrutura e conservação dos espaços, significativos para a história e arquitetura do município, e estão sendo realizadas com recursos do PAC Cidades Históricas, programa do Governo Federal, e execução do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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foto: B. Bertagna. Paço Municipal em 2013

O sobrado que abriga o Paço Municipal foi construído na segunda metade do século XIX, pelo comendador Luis Álvares da Silva, homem mais rico e influente da região à época. Posteriormente, o prédio passou a sediar o Club Beneficente e Recreativo Iguapense e a Câmara Municipal, vindo a ser adquirido pela Prefeitura em 1945. Desde então, passou a funcionar como Paço Municipal.

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Arquivo Iphan

O Sobrado dos Toledos leva esse nome por ter sido residência de outro cidadão importante da região, José Carlos de Toledo. Construído na primeira metade do século XIX, durante o ciclo do arroz, o prédio foi doado pelos herdeiros, em 1931, ao Santuário de Iguape, para que abrigasse romeiros durante as festividades do Bom Jesus, época em que o edifício ficou conhecido como Sobrado do Santo. Depois disso, o prédio sediou diversos empreendimentos e, atualmente, encontra-se em ruínas, restando ainda as características originais das fachadas.

Os dois edifícios estão localizados na área do conjunto histórico de Iguape, tombada pelo Iphan. As duas intervenções se somam à restauração da Antiga Casa de Fundição, concluída em dezembro de 2015, com recursos de R$ 837 mil, também pelo PAC Cidades Históricas, representando um significativo investimento no Patrimônio Cultural da cidade.

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foto: B. Bertagna

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Vapor Izabel, no Rio Ribeira de Iguape, na altura do bairro Jipovura, por volta de 1909. Arquivo Iphan/Dossiê Tombamento

A real data da fundação do município é desconhecida. Alguns historiadores chegam a acreditar que já havia europeus vivendo na região mesmo antes do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral.

A tradicional Festa do Bom Jesus de Iguape, a Festa de Agosto, que atrai milhares de romeiros de todos os cantos do Brasil. Foto : Gazeta Caiçara/Rafael Peroni

Procissão de Nª Srª das Neves. padroeira de Iguape. foto; http://www.senhorbomjesusdeiguape.com.br

Remonta a 1577 a data em que o povoado foi elevado à categoria de freguesia, com o nome de Freguesia de Nossa Senhora das Neves da Vila de Iguape, quando foi aberto o primeiro livro do tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves, construída no local conhecido por Vila Velha, no sopé do morro chamado de Outeiro do Bacharel, defronte à Barra do Icapara.

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Arquivo Iphan

Não se sabe, ao certo, a data de elevação a vila, porém, acredita-se que tenha sido entre 1600 e 1614.

Altar mor da Basílica foto: B. Bertagna

Neste último ano, foi iniciada a construção da antiga Igreja Matriz, já no local atual, no centro urbano, após a mudança da então freguesia, ordenada pelo fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira.

Vista dos imensos telhados e das torres da Igreja São Benedito, uma das mais antigas da cidade. foto: B. Bertagna

A Vila foi elevada a cidade pela Lei nº 17 de 3 de abril de 1848 com o nome de Bom Jesus da Ribeira, mas no ano seguinte, pela Lei nº 03 de 3 de maio de 1849, foi modificado o nome para Bom Jesus de Iguape.
Posteriormente, o costume popular simplificou-o para Iguape.

Hoje Iguape revela surpresas no plano do Patrimônio Imaterial como o tradicional Carnaval de Rua , com vários blocos organizados que circundam a praça da Basílica durante as folias de Momo e ainda preserva o Fandango Caiçara, com suas rabecas, seus bailados e tradições.

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Arquivo Iphan

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Arquivo Iphan

Fundação: 3 de dezembro de 1538
Gentílico : iguapense
Lema: Virtvtes Pavlistarvm Retento
\\\”Detenho as Virtudes dos Paulistas\\\”

Arquivo Iphan – Giovani Sarkis

foto: B. Bertagna

Arquivo Iphan – Giovani Sarkis

Topônimo
A palavra Iguape tem origem na língua tupi e significa na enseada do rio, através da junção dos termos y(água, rio), kûá (enseada) e pe(em)

Antiga Fábrica da Matarazzo de processamento de peixe. foto: B. Bertagna

Romeiros recebem benção em frente à Basílica. foto: B.Bertagna

Arquivo Iphan – Giovani Sarkis

Arquivo Iphan fotos: Germano / junho de 1950

Imagem de Cristo no morro do Espia. foto: B. Bertagna

Como chegar :

De São Paulo/Santos:

Descer a BR 116, rodovia Régis Bittencourt ou a Padre Manuel da Nóbrega SP-55 e, após a cidade de Miracatu, entrar no Km 401, Rodovia Casemiro Teixeira SP-222 para Iguape, com distância aproximada total de 200 km.

Os ônibus da empresa ValleSul vindos de São Paulo saem do Terminal Barra Funda em 4 horários diários. Partindo de Santos/SP há um ônibus diário.

De Curitiba:

Seguir a BR 116 – Rodovia Régis Bittencourt Norte e, passando pela cidade de Jacupiranga, entrar no Km 464 para Pariquera-Açu/Iguape, na rodovia Ivo Zanella. Total aproximado de 250 km

De Curitiba, os ônibus saem da Estação Rodoferroviária e há um horário diário nos dois sentidos e 2 horários de sexta a segunda, cumpridos pela empresa Princesa dos Campos.

De Sorocaba:

Saindo de Sorocaba ou cidades vizinhas pegar a Rodovia SP-079 (Serra de Tapiraí) até Juquiá. Depois entrar na BR 116 Rodovia Régis Bittencourt Norte sentido São Paulo e, depois de 13 km, pegar a entrada de Iguape no Km 401, na Rodovia Total de 2 00 km.De Sorocaba a Iguape, há um horário regular realizado pela empresa São João

De Registro /SP os ônibus saem praticamente de hora em hora, fazendo conexão para cidades vizinhas como Cananéia, Pariquera-Açu, Jacupiranga, Eldorado, Iporanga, Miracatu, Juquiá,Cajati, Apiaí, etc.

Mar Pequeno visto do Morro do Espia foto : Luciano Faustino/Wikipédia

A cidade fica também a 5 km, por estrada asfaltada,  das praias atlânticas de Ilha Comprida. Além de uma bela paisagem, o Mar Pequeno proporciona ótimas pescarias.

foto: B. Bertagna

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foto: B. Bertagna

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Livros para conhecer melhor o Vale do Ribeira – As Minas de Ouro e a formação das Capitanias do Sul

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“Em foco estão um tempo longo (1593-1830) , uma boa parte do Brasil à margem das políticas oficiais da Coroa Portuguesa e da economia de exportação vinculada à mão de obra africana, as Capitanias do Sul até muito recentemente consideradas pobres e periféricas, um vasto território relacionado à mineração, um sistema urbano que incluía metade dos núcleos do Brasil em fins do século XVII, a marginalidade historiográfica do objeto de estudo, a inédita metodologia de pesquisa. Nas linhas e entrelinhas de um discurso teórico profundo revelam-se camadas de tempos pregressos, até então inexplorados sob este ponto de vista .” Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno , sobre a obra de Nestor Goulart Reis.

Leitura recomendada > Este livro faz parte do acervo da Casa do Patrimônio do Vale do Ribeira. 

Neste fim de semana tem o 1º FLI – Festival Literário de Iguape

Com o objetivo de promover o livro enquanto fonte de difusão cultural e estimular a produção literária da região do Vale do Ribeira, a Oficina Cultural Gerson de Abreu realiza, de 17 e 20 de outubro, o 1º Festival Literário de Iguape.

O evento conta com uma programação gratuita de workshops, palestras, feira de livros, contação de histórias, exposição e shows. Entre as atrações, a exposição Panorama Ibero-Americano da Publicação Independente, onde será possível conhecer um pouco da produção de quadrinhos do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha, México, Portugal e Venezuela.

Com a palestra A curiosidade matou o gato. Mas o gato não tem sete vidas?, o jornalista Marcelo Duarte, criador da série “O Guia dos Curiosos”, falará da importância do estímulo à curiosidade e sobre como usá-la de modo criativo nos negócios.

Representando a literatura da região, estará presente o poeta Marcelo Plácido lançando seu livro Porém Efervescente, o escritor Oswaldo de Souza com seu Sete Contos Quase Verdadeiros, além de Nestor Rocha, com Do Brilho ao Opaco, entre outros autores.

Outro destaque da programação é o show de Marina de la Riva. A cantora interpretará canções do álbum Idílio (2012), que reúne sucessos de Vinicius de Moraes, Luiz Gonzaga e o cubano Frank Dominguez. A cantora Tiê também dará o ar da graça apresentando seu último álbum, A Coruja e o Coração (2011), que teve participação de Jorge Drexler, Marcelo Jeneci e Hélio Flanders.

E, em ocasião do centenário de Vinicius de Moraes, o Festival recebe o show História de Canções, idealizado por Wagner Homem. Acompanhado por músicos que executam as canções de autoria do poeta, o jornalista conta as histórias relacionadas à criação das composições.

Programação:

17 de outubro a 14 novembro
Exposição: Panorama Íbero-Americano da Publicação Independente
Curadoria: Douglas Utescher e Daniela Utescher

17 de outubro
16h – Contação de História: Histórias de reis e versos cantados
Com Ivy de Lima

18h – Workshop: Contação de histórias com objetos do cotidiano
Com Ivy de Lima

19h – Bate-papo: O papel do ficcionista como construtor de identidades sociais e sua responsabilidade histórica
Com Benedito Machado e Roberto Fortes

21h – Show: Histórias de Canções: Vinícius de Moraes
Com Wagner Homem

18 de outubro
9h – Contação de história: Conversa ribeirinha
Com Antonio Lara e Júlio Costa

11h – Palestra: A Formação do Escritor
Com Reynaldo Damazio

14h – Contação de História: Conversa ribeirinha
Com Antonio Lara e Júlio Costa

16h – Palestra: Uma viagem pelos gêneros literários
Com Ecilla Bezerra

18h – Contação de História: Conversa ribeirinha
Com Antonio Lara e Júlio Costa

20h – Palestra: Literatura não é entretenimento
Com Menalton Braff

21h30 – Show: Fulvio Oliveira & The Wild Blues Band

23h – Show: Tiê

19 de outubro
10h – Workshop: Histórias em Quadrinhos
Com Paulo Crumbim e Cris Eiko

13h – Workshop: Encadernação artesanal
Com Rodrigo Okuyama

17h – Palestra: Publicação Independente
Com Douglas Utescher

20h – Palestra: A curiosidade matou o gato. Mas o gato não tem sete vidas?
Com Marcelo Duarte

21h30 – Show: Packaw e a Nave

23h – Show: Marina de la Riva

20 de outubro
11h – Workshop: Criação e manipulação de bonecos de luva
Com Cia Articularte

16h – Teatro: O valente filho da burra
Com Cia Articularte

13h-16h – Lançamento de livros e tarde de autógrafos:

Ecologicamente Ilhamos e Geane
De Osvaldo Matsuda

Porém Efervescente
De Marcelo Plácido

A Trilha da Suçuarana
De Miguel Cassemiro

Sete Contos… Quase Verdadeiros
De Oswaldo de Souza

Confissões de um Pecador
De Rodrigo Ladeira

Do Brilho ao Opaco
De Nestor Rocha