Cais do Valongo (RJ) ganha título de Patrimônio Mundial da UNESCO

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O sofrimento daqueles que foram tirados à força de suas terras de origem para uma vida de trabalhos forçados e degradação é algo que não pode ser esquecido. Foram mais de quatro milhões de africanos escravizados no Brasil e que agora terão sua dor representada e relembrada na decisão da UNESCO, que acaba de reconhecer o Sítio Arqueológico Cais do Valongo (RJ) como Patrimônio Mundial.

A decisão partiu de 22 nações que compõem o Comitê do Patrimônio Mundial, que reuniu-se esta semana na cidade de Cracóvia, na Polônia.

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Principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, o Cais do Valongo, localizado na região portuária do Rio de Janeiro (RJ), é um símbolo desse infeliz episódio que representa uma das maiores injustiças da história mundial. Muito importante para a comunidade afro-brasileira e para a comunidade afro-americana em geral, o Cais do Valongo agora encontra-se no mesmo patamar da cidade de Hiroshima, no Japão, e do Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia, classificados como locais de memória e sofrimento.

O Cais do Valongo foi o principal cais de desembarque de africanos escravizados em todas as Américas e também o único preservado materialmente. Pela magnitude do que representa, coloca-se como o mais destacado vestígio do tráfico negreiro no continente americano.

O título de Patrimônio Mundial representa o reconhecimento de um exemplo único da história da humanidade que, apesar do processo escravagista produzido, propiciou uma inestimável contribuição dos africanos e seus descendentes à formação e desenvolvimento cultural, econômico e social do Brasil, de modo direto, e da região, de modo indireto. O título também reconhece o valor universal excepcional do local, como memória da violência contra a humanidade representada pela escravidão, e de resistência, liberdade e afirmação, fortalecendo as responsabilidades históricas, não só do Estado brasileiro, como de todos os países membros da UNESCO.

Veja a notícia completa no portal do IPHAN.

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Exposição da fotógrafa Nair Benedicto é atração em Iguape / SP

A exposição Fé Menina apresenta um retrato da mulher brasileira através de fotos coloridas e em preto e branco. Desde a década de 70, a coletânea mostra a realidade feminina em diferentes situações: prisão, passeatas, aldeias indígenas e no carnaval.

Escolhendo dar voz às minorias, violência contra a mulher, o homossexual, o menor de rua e o índio são presentes nas imagens.  Nos seus 43 anos de profissão, Nair Benedicto tem em sua obra um viés político que integra os acervos dos museus de arte moderna do Rio de Janeiro (MAM) e de Nova York (MoMa), entre outros.

A exposição que tem a curadoria de Egberto Nogueira, diretor da Imã Foto Galeria.

A fotógrafa formada em rádio e televisão pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em 1972. Começou sua carreira em São Paulo como realizadora de audiovisuais e fotógrafa freelancer do Jornal da Tarde. Desde então, fundou uma agência de fotojornalismo com Juca Martins, Delfim Martins e Ricardo Malta, colabora com revistas internacionais e é envolvida com ativismo político. Foi delegada da Unicef em 1988 e 1989, depois de ter se engajado na militância durante a ditadura, ser presa e torturada. Organiza exposições, cursos e palestras em diversos estados pela agência N-Imagens, que também fundou.

“Acredito no poder transformador da fotografia. Por meio dela, procuro chamar a atenção para questões que considero relevantes para a sociedade”, afirma Benedicto.

Entre suas premiações, destaca-se o 11º Prêmio Abril de Fotojornalismo, em 1985. É autora dos livros A Greve do ABC (1980), A Questão do Menor (1980) em parceria com Juca Martins, e As Melhores Fotos de Nair Benedicto (1988), entre outros.

Acompanhando a abertura da exposição, os músicos Rafael Gato e Raul Correa se apresentam. Iguapenses com mais de 10 anos de carreira, tocam uma música inovadora sem deixar a essência da música popular brasileira de lado.

A exposição, que tem a curadoria de Egberto Nogueira, diretor da Imã Foto Galeria é uma realização da Prefeitura Municipal de Iguape em parceria com a Casa do Patrimônio Vale do Ribeira e Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional , que em 2017 comemora os seus 80 anos de criação.

Serviço:

Exposição fotográfica “Fé Menina”
Nair Benedicto
Local: Museu Histórico de Iguape – Rua das Neves, 45, Centro Histórico
Abertura: 27/01, às 21h30. Na ocasião acontecerá apresentação dos músicas iguapenses Rafael Gato & Raul Correia
Visitação: 28/01 a 28/02, das 12h às 20h

Gente que vem…ETEC Engº Agrº Narciso de Medeiros, de Iguape/SP

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Uma turma de Turismo Receptivo da Escola Técnica Engº Agrônomo Narciso de Medeiros – ETEC, do Centro Paula Souza esteve participando de uma Roda de Conversa sobre o tombamento da cidade de Iguape como Patrimônio Cultural Brasileiro e o papel do Iphan como agente fiscalizador e conscientizador desse patrimônio. Os alunos da profª Cássia Massa também foram orientados pela técnica Maria Helena Rocha sobre a formalização do MEI – Micro Empreendedor Individual e as linhas de crédito do Banco do Povo paulista.  Ao final, os participantes se dispuseram a escrever um pequeno texto abordando a visão de cada um sobre “A Iguape do Futuro”, que será inserido nesse blog brevemente. Sejam bem-vindos !

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fotos: Benê Alves

Gente que vem… Liceu Terras do Engenho, de Piracicaba/SP

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Os alunos do 7º e 8º ano , monitores e professores do Liceu Terras do Engenho, de Piracicaba/SP estiveram visitando a Casa do Patrimônio Vale do Ribeira.  Na ocasião, foi realizada uma roda de conversa informal com cerca de 35 alunos sobre a ocupação da região caiçara, aspectos da atuação do Iphan em relação ao patrimônio material e imaterial e a história de Iguape. Nosso obrigado aos monitores e professores Keli , Ricardo, Sandra e Chileno. Sejam bem vindos !

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Reunião de Salvaguarda do Fandango acontece neste fim de semana na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, em Iguape / SP

foto: Osvaldo Capetta/paranagua.pr.gov.br

O violeiro começa a cantoria e em seguida os dançadores seguem o ritmo marcado pela batida dos pés e mãos…

O ritmo é alegre e contagiante,

É o Fandango, manifestação cultural de forte presença no Vale do Ribeira e região de Paranaguá. As rabecas, feitas de caixeta, madeira nativa, acompanham o bailado do palmeado com sua sonoridade singular.

O Fandango Caiçara foi patrimonializado pelo Iphan em novembro de 2012.  Se insere neste bem cultural um vasto repertório de saberes e fazeres que forma o mosaico das expressões fandangueiras, desenhado, em diferentes territórios e territorialidades, do litoral norte do Paraná ao litoral sul de São Paulo.

O Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional , através das Superintendências em São Paulo e Paraná, juntamente com o DPI: Departamento de Patrimônio Imaterial, assumindo o compromisso e trabalhando na salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial , realizou neste sábado (26), na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, em Iguape/SP, a segunda reunião de articulação entre a instituição, fandangueiros e parceiros.

O Fandango Caiçara compõe um universo cultural complexo, articula relações de parentesco, compadrio, trabalho e amizade, promovendo também a circulação de conhecimentos. É na estrutura poético-musical de seus versos, na sonoridade de seus instrumentos, movimentos e gestualidades específicas de suas danças que o fandango “bate o pé” e permanece entre as variadas práticas caiçaras.

Entrecortando relações marcadas por essa identidade, o fandango, em suas afinações, acordes e timbres forma um universo musical específico, transitando pela fé, festa e trabalho. Neste contexto, os bons bailes de fandango, marcados pela fartura de comida e bebida, eram, nesse sistema, o “pagamento” oferecido pelos donos das casas beneficiadas pelo dia de trabalho realizado pela comunidade. A sala com chão de madeira era a única exigência para a realização dos bailes, que além de uma função produtiva, facilitava e estreitava os laços sociais entre os vizinhos, permitindo a troca de informações e, muitas vezes, facilitando namoros e casamentos.

Muitas cidades o têm como um elemento identitário de sua história.

Pode ser de Tamancos ou Chilenas, como é o caso da região do Vale do Ribeira

Sob a melodia de violas e rabecas a memória caiçara se atualiza e ganha continuidade entre a juventude que sempre se faz presente. Quando acontece o fandango é momento de troca e diálogos intergeracionais, e afirma-se aí a dinâmica que envolve as manifestações culturais populares.

Na pauta desse Encontro, foi feita a apresentação dos encaminhamentos da I Reunião, uma breve avaliação das ações realizadas e a apresentação do Projeto “Artesanias Caiçaras”.

Foi realizado um replanejamento das ações previstas e não realizadas, bem como se discutiu as ações preparatórias do III Encontro do Fandango.

Estavam presentes na reunião de Salvaguarda do Fandango representantes do Departamento do Patrimônio Imaterial (DPI) do Iphan, servidores da Superintendência do Iphan em São Paulo e Paraná bem como líderes comunitários e fandangueiros dos dois estados, PR e SP.

Exposição fotográfica de Henrique Pellerin continua na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira

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O artista iguapense de 23 anos Henrique Pellerin possui formação profissional em Artes Visuais pelo “Centro Universitário Estácio Radial de São Paulo”, participou de diversas oficinas voltadas para as áreas de fotografia e artes.

Seu interesse em fotografia surgiu em 2010 quando começou a estudar Artes Visuais, daí por diante decidiu se especializar nesta área e utilizar a fotografia como meio de criação e expressão artística.

Henrique Pellerin participou de diversos projetos, entre eles se destacam o “Projeto Fotografe SP” de 2011, coordenado pelo fotógrafo Elias Gomes, quando dentro do festival Revelando São Paulo apaixonou-se pela Cultura Tradicional Paulista.

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Em 2012, foi convidado pelos Artistas Raurício Barbosa e Diego Dionísio para fazer parte do “Projeto Iguape In-Concretus”, onde por meio da parceria entre a Prefeitura Municipal de Iguape e o IPHAN, através da Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, realizou-se a exposição fotográfica “Patrimônio Vivo”.

Hoje Henrique faz parte da “Residência Artística Vale do Ribeira” que é coordenada pelo Artista Visual Fernando Caixeta.

No final de 2011 com o trabalho “Carnavalidades” foi premiado no Salão de Artes Visuais da Universidade Estácio Radial. Neste ano (2015) está representando o Município de Ilha Comprida no “Mapa Cultural Paulista”, na categoria Fotografia com o trabalho “A Rainha” de 2012.

A exposição “Olhares ao Bom Jesus” fica em cartaz na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira até 31 de agosto.

A Casa do Patrimônio Vale do Ribeira é uma iniciativa da Superintendência do IPHAN em São Paulo em conjunto com a Prefeitura de Iguape.

Serviço:

Exposição Fotográfica “Olhares ao Bom Jesus
Artista: Henrique Pellerin
Curadoria: Myrian Teresa F. Veiga Signorini
Início: 27/julho\2015 – segunda-feira
Horário: 9:00 às 12:00 / 14:00 às 18:00
Local: Casa do Patrimônio Vale do Ribeira. Rua 15 de Novembro 218– Iguape/SP.
Site: www.henriquepellerin.46graus.com e www.facebook.com/hpellerinfotografia

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Henrique Pellerin , dia 27 de julho, na Casa do Patrimônio

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Gente que vem … Mauro Miyashita

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O arquiteto Mauro Miyashita , do Condephaat ( Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico) do Estado de São Paulo esteve na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira nesta semana.

Na pauta, reuniões com os técnicos do Iphan em Iguape para estabelecimento de  ações conjuntas de fiscalização visando preservar o patrimônio tombado da cidade, principalmente o seu Centro Histórico.

Iguape : Prédio do Correio Velho em 2 tempos

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Correio Velho em 2006

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Correio Velho em 2015

Situado na praça Praça Engenheiro Greenhalgh s/nº, é um prédio importantíssimo para a história de Iguape/SP que está, com seu restauro,  ganhando um visual belíssimo e um interior modernizado, fruto de convênio entre Iphan e Prefeitura de Iguape.

Detalhe da restauração do Correio Velho em Iguape/SP

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O prédio do Correio Velho, situado em Iguape/SP, está sendo restaurado e prevê acessibilidade, por meio de elevadores, climatização para receber e manter documentos, além de cinemateca, biblioteca, área para palestras, cursos, entre outros para fomento da cultura e preservação do patrimônio.

A restauração é o resultado do Convênio Nº 64740/2011, celebrado entre o Iphan e a Prefeitura de Iguape.

A licitação para a  restauração teve como vencedora a empresa Companhia de Restauro , com o valor global de R$ 1.866.257,04 .

Construído no século XIX, marco da prosperidade iguapense, o prédio estava  em adiantado estado de deterioração, mas graças ao tombamento alcançado no ano de 2009,  a cidade foi contemplada com investimentos do Governo Federal para a total restauração do prédio trazendo de volta à Praça São Benedito o visual suntuoso das sacadas e telhados do Correio Velho, muito parecido como foi em sua concepção original pelo lado de fora e ainda abrigará importantes acervos em seu interior.

Segundo o site da Prefeitura de Iguape, “o prédio do Correio Velho, construído no antigo Largo de São Francisco, atual Praça São Benedito, foi inaugurado no ano de 1839. Reformado em 1893, foi adquirido pelo coronel Agostinho José Moreira Rollo e posteriormente pertenceu ao comendador João Mâncio da Silva Franco. A partir de 1926, passou a abrigar a agência dos Correios e Telégrafos, que lá permaneceu até 1951. Suas paredes externas são de pedra e cal e as internas eram de taipa francesa. Possuía telhado em duas águas com beiral e sacadas com grades de ferro fundido trabalhado.

Segundo a tradição, nele teriam pernoitado as tropas de Duque de Caxias e Osório, em viagem ao Sul do país, durante a Guerra do Paraguai. O prédio do Correio Velho, apesar de sua importância histórica e arquitetônica, encontrava-se em avançado estado de deterioração, tendo restado de pé somente as fachadas.”

200 alunos de Ilha Comprida fazem “Trilha da Memória” em Iguape/SP

trilha da memóriaCerca de 200 alunos , acompanhados pela  Diretora, professores e coordenadores da Escola Municipal Meu Recanto da cidade de Ilha Comprida participaram do projeto “Trilha da Memória” , com visitas monitoradas que estimulam o sentimento de pertencimento do Patrimônio Cultural Histórico.

Na foto, com os alunos,  a diretora da Casa do Patrimônio Vale do Ribeira  Myrian Teresa em frente à Antiga Casa de Fundição de Ouro , situada em Iguape/SP,  e que passa por um processo de restauração através do Programa PAC Cidades Históricas.

Desafios contemporâneos para a gestão do patrimônio

Por Jurema Machado

Nas últimas décadas, a ideia de Cultura, antes entendida como algo que servia para distinguir as pessoas por suas origens e classes sociais, volta-se para o reconhecimento e a valorização dos traços comuns de nossa humanidade, que é essencialmente diversa, criativa e fonte dos mais diversos protagonismos. As políticas de patrimônio antecedem em pelo menos dois séculos a esse debate, ocorrido sobretudo na segunda metade do século XX e tendo a Unesco do pós guerra como principal palco de convergências. Na Europa Ocidental, o patrimônio está presente nas políticas de estado desde o final do século XVIII, quando veio dar materialidade aos conceitos de nação e nacionalidade trazidos pela Revolução Francesa.

No Brasil, a atenção para com os museus e a memória nacional data do final do século XIX, mas uma efetiva política de patrimônio, contendo a base daquilo que praticamos até hoje, vem do governo Vargas, mais precisamente de 1937, quando se edita o Decreto Lei 25 e é criado o Iphan. Vigente até hoje, o Decreto Lei 25/37 tornou-se um campeão de longevidade, sobrevivente a três Constituições Federais, certamente por ter se antecipado à visão dominante na legislação brasileira de então, ao fazer prevalecer o interesse coletivo sobre o individual no que se refere à propriedade privada. Esse princípio basilar, a solidez e a contemporaneidade de seus criadores, ao lado de circunstâncias políticas que vigoravam nesses anos originais, deram ao Iphan a sustentação necessária para se afirmar e percorrer uma trajetória muito peculiar na administração pública brasileira, tornando-se uma instituição que é devota fervorosa – e praticante reconhecida – do interesse público, da abordagem técnica especializada e de políticas e programas pouco suscetíveis à descontinuidade administrativa.

Ao longo desses anos, o alargamento do sentido do patrimônio, na mesma direção do ocorrido com a política cultural como um todo, passou a requerer que a proteção do estado se estenda desde um sítio urbano complexo e dinâmico como o Plano Piloto de Brasilia, ate à pequena casa de madeira povoada de objetos de uso cotidiano do seringueiro Chico Mendes, em Xapuri, no interior do Acre. Ou à salvaguarda dos modos de fazer tradicionais relacionados ao manejo de alimentos ou recursos naturais; de celebrações como o Círio de Nazaré ou a Festa do Bonfim; ou de expressões como o Frevo e a Roda de Capoeira, considerada pela Unesco, no último dia 26 de novembro, como Patrimônio Imaterial da Humanidade, ao lado do Frevo, do Círio, do Samba de Roda e da Arte Kusiwa dos índios Wajãpi, que já haviam sido reconhecidos em sessões anteriores. Tudo isso ao abrigo de um decreto (o Decreto 3551/2000), que cria a política e o Registro do Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro, o qual, mais do que conferir títulos, implica em responsabilidade do ente público para com esses bens. Na sequência da política do patrimônio imaterial, cuja transversalidade e forte embasamento social irrigam e oxigenam a politica de patrimônio como um todo, agregou-se recentemente a valorização da diversidade linguística de um país que, durante toda sua história recente, ostentou seu orgulho por falar uma única língua, o Português, mas que, ao contrário, ainda preserva a riqueza inestimável de possuir falantes de mais de 180 línguas indígenas, algumas línguas de imigração hoje desaparecidas nos seus países de origem e remanescentes de línguas africanas.

Esse amplo espectro impõe que a política de patrimônio se relacione com os campos mais diversos, como a gestão urbana, a gestão ambiental, os direitos humanos e culturais, atuando desde o poder de polícia até a educação, a formação profissional e a pesquisa, sem falar de uma crescente interface com o ambiente internacional. Como decorrência, resultam números impressionantes. Se, por um lado, esses números representam um bom indicador – o da afirmação da política de patrimônio – por outro lado preocupam, ao denotar o pouco compartilhamento de responsabilidades com outros entes. Vejamos alguns exemplos: cerca de 40 mil imóveis estão localizados em conjuntos urbanos tombados, o que implica acompanhamento, autorização de intervenções e fiscalização; o licenciamento ambiental prevê a participação do Iphan visando minimizar impactos sobre o patrimônio cultural, o que representa mais de mil processos de licenciamento por ano, envolvendo desde as grandes obras de infraestutura até intervenções urbanas de menor porte; a cada ano, são analisados cerca de 50 mil bens em processo de transferência, permanente ou temporária, para o exterior, visando o combate ao tráfico ilícito de objetos de bens de valor cultural; com a extição da Rede Ferroviária Federal, o Iphan, após 2007, tornou-se responsável pelo patrimônio ferroviário, presente em mais de 1200 municípios, incluindo edificios, bens móveis e acervos documentais. Embora quantitativamente menos numerosa, é de grande complexidade a salvaguarda do patrimônio imaterial e a relação com o chamado “patrimônio vivo”, justamente pela natureza diversa e pela dinâmica dessas manifestações.

Toda essa amplitude, somada ao grande volume de investimentos públicos e privados que vem sendo aplicados nos últimos anos, especialmente em infraestrutura, fazem com que estejamos vivenciando um dos períodos mais desafiadores da história da preservação no Brasil. Não é exagero dizer que quase todos os locais emblemáticos do nosso patrimônio urbano estão passando por algum tipo de transformação, seja material, seja social, envolvendo tipos ou intensidades de uso do solo ou de apropriação pela população. O patrimônio arqueológico é também objeto de permanente atenção, o que se traduz em quantidades inéditas de pesquisas arqueológicas financiadas pelos próprios empreendedores das obras em processo de licenciamento. Essas pesquisas, por sua vez, levaram a um crescimento exponencial de cursos de formação em arqueologia, ainda assim insuficientes para a demanda atual do mercado de trabalho.

No entanto, é tambem verdade que condições mais favoráveis quanto aos investimentos na preservação tem sido possíveis, especialmente no âmbito federal. Mais do que recursos orçamentários, é emblemático o fato de o patrimônio ter tido acesso ao núcleo central de financiamento da política de desenvolvimento do país, ou seja, ao seu programa de infraestrutura, o PAC. Para o seguimento Cidades Históricas foi disponibilizado orçamento que representa, se considerada sua distribuição anual, mais de cinco vezes a média do que se investia anualmente em conservação. Esse aporte, no entanto, põe em evidência o grande desafio que é lidar com o mercado de produção das obras de restauração, ainda formatado para uma demanda muito inferior, com poucos profissionais e poucas empresas especializadas e, principalmente, requer enfrentar a reduzida capacidade instalada nos municípios, que são os executores prioritários do programa sob a coordenação do Iphan.

Vale dizer que, mais do que financiamento para a preservação, o país como um todo enfrenta hoje desafios de gestão. Concretamente, esses desafios se traduzem, por exemplo, em reestabelecer a vitalidade de centros históricos esvaziados de população residente e apartados da dinâmica urbana, como acontece em São Luis ou em Salvador; ou em reutilizar, de forma sustentável, um vasto conjunto de imóveis de valor cultural, cujo exemplo mais notável é o do grande acervo da antiga RFFSA; ou, ainda, em dialogar com os mais diversos atores para alcançar os pactos necessários à salvaguarda dos bens imateriais.

É necessário procurar o equilíbrio entre os papéis da União, dos Estados, dos Municipios, da comunidade e do setor privado, investindo fortemente na ampliação de uma rede de proteção e valorização do patrimônio, não só para desonerar o órgão federal de tantas responsabilidades, mas para alcançar a verdadeira razão de existir do patrimônio, que é fazer sentido no universo e na vida cotidiana dos cidadãos.

É preciso olhar para o patrimônio como um recurso mobilizador, como ele de fato é, não apenas da economia dos serviços do turismo ou da reabilitação urbana, mas como força capaz de nos apresentar contrapontos para olhar com mais senso crítico e lucidez à nossa volta. Visualizar nossa trajetória histórica representada pelos sítios e monumentos nos fará perguntar sobre a arquitetura, as cidades e os espaços públicos que estamos produzindo, observar para onde caminham as nossas formas de sociabilidade e a nossa relação com o ambiente; a comparação entre reaproveitamento e descarte de materiais e de energia nos fará indagar sobre o uso sustentável de recursos, criatividade e inovação; diante de práticas, ritos e saberes tradicionais, podemos aprender a reconhecer seus aportes de conhecimentos e de visões de mundo e respeitar seu desejo de resistência a um destino nivelador que vai se impondo a todos e a todas as coisas.

Na contramão do mundo em que vivemos, o patrimônio não está sob o domínio do efêmero e do imediato, mas resulta do acúmulo e da experiência. Nele se funde o nosso melhor como país e, se soubermos alcançar a amplitude dos seus significados, neles estarão muitas das nossas chaves para encontrar uma forma particular para o nosso projeto de desenvolvimento.

Jurema Machado
Arquiteta, Presidente do Iphan

Caderno de Obra : Correio Velho, em Iguape/SP

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Construído no século XIX, marco da prosperidade iguapense, o prédio estava  em adiantado estado de deterioração, mas graças ao tombamento alcançado no ano de 2009, agora a cidade é contemplada com investimentos do Governo Federal para a total restauração do prédio trazendo de volta à Praça São Benedito o visual suntuoso das sacadas e telhados do Correio Velho, muito parecido como foi em sua concepção original pelo lado de fora e ainda abrigará importantes acervos em seu interior.

Segundo o site da Prefeitura de Iguape, “o prédio do Correio Velho, construído no antigo Largo de São Francisco, atual Praça São Benedito, foi inaugurado no ano de 1839. Reformado em 1893, foi adquirido pelo coronel Agostinho José Moreira Rollo e posteriormente pertenceu ao comendador João Mâncio da Silva Franco. A partir de 1926, passou a abrigar a agência dos Correios e Telégrafos, que lá permaneceu até 1951. Suas paredes externas são de pedra e cal e as internas eram de taipa francesa. Possuía telhado em duas águas com beiral e sacadas com grades de ferro fundido trabalhado.

O prédio do Correio Velho, apesar de sua importância histórica e arquitetônica, encontrava-se em avançado estado de deterioração, tendo restado de pé somente as fachadas.” Para se ter uma idéia da condição do prédio imponente construído em 1839, símbolo da riqueza paulista na época , o telhado de duas águas desabou e acabou sendo removido.

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O novo prédio do Correio Velho está sendo restaurado e prevê acessibilidade, por meio de elevadores, climatização para receber e manter documentos, além de cinemateca, biblioteca, área para palestras, cursos, entre outros para fomento da cultura e preservação do patrimônio.

A restauração é o resultado do Convênio Nº 64740/2011, celebrado entre o Iphan e a Prefeitura de Iguape. A licitação para a  restauração teve como vencedora a empresa Companhia de Restauro , com o valor global de R$ 1.866.257,04 .  As fotos são do dia 19 de fevereiro de 2015.

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Jongo é celebrado em São Paulo

Para promover a troca de conhecimento sobre o jongo e a preservação deste patrimônio, cerca de 40 comunidades estarão reunidas, entre os dias 05 e 07 de dezembro, durante o 13º Encontro Nacional do Jongo, na Fundação Cassiano Ricardo, na cidade de São José dos Campos (SP). O Jongo – forma de expressão que reúne tambores, dança e cantos – foi inscrito no Livro das Formas de Expressão, em 2005, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Durante as atividades do Encontro, serão promovidas rodas de jongo, exposições e debates entre as comunidades que irão debater sobre a transmissão de saberes, valorização dos mestres jongueiros e sobre a tradição e relevância dos cantos deste bem cultural, que seja na dança, no batuque ou na palavra carrega a memória das manifestações de matriz africana.

A primeira edição do evento ocorreu em 1996, com o objetivo de estimular canais de trocas entre os praticantes e a sociedade. Este ano, o Encontro Nacional do Jongo tem o apoio e a realização do Iphan, que vem atuando em uma articulação conjunta com os grupos, movimentos sociais e as outras instâncias sociais, contribuindo para inserir o jongo nas dinâmicas culturais contemporâneas e garantir a salvaguarda desta tradição.

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A poesia metafórica dos antigos escravos
O jongo tem sua origem relacionada ao período da escravidão, da cultura cafeeira e da cana de açúcar. Por isso, sua prática, que reverbera até hoje, é encontrada, principalmente, nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais. Praticado em quintais das periferias urbanas e áreas rurais tem como elementos a roda, a música de tambores, as manifestações mágico-espirituais e o canto.

Tava dormindo
Angoma me chamou disse levanta povo
Cativeiro se acabou

São versos como esses que embalam as rodas e constituem a característica mais significativa do jongo: os chamados pontos. Quando cantados, funcionam como uma espécie de poesia metafórica e enigmática que os antigos praticantes desenvolveram para que os seus senhores e capatazes não pudessem compreender o que diziam, sendo, assim, uma forma de liberdade de expressão.

O significado do ponto deve ser decifrado pelos outros participantes e respondido também em linguagem versificada, como se fosse um desafio. Os versos, que continuam sendo entoados por um solista e acompanhados por um coro, louvam os antepassados, as divindades afro-brasileiras; afirmam as tradições; comemoram as festas de santos católicos, festas juninas, o Dia da Abolição (13 de maio) ou, apenas, reúnem a comunidade.

Além da palavra cantada, as reuniões de jongueiros são permeadas pela presença invocativa dos tambores e pela dança, feita em roda e que convida, na maioria das vezes, duas pessoas para o centro. Os pares fazem movimentos espontâneos em correspondência aos toques da percussão, utilizando como gesto característico a umbigada, em que dois dançarinos encostam, total ou parcialmente, seus umbigos. Por meio desse bem cultural, os praticantes buscam fortalecer a identidade de suas comunidades e salvaguardar seus ritos.
Serviço
13º Encontro Nacional do Jongo
Data: 05, 06 e 07 de dezembro
Local: Fundação Cassiano Ricardo
Av. Olivo Gomes, 100 – Santana São José dos Campos – SP
Telefone: (12) 3924-7300
http://www.fccr.org.br/
Entrada gratuita

PAC Cidades Históricas 2 : Projeto de restauração do “Paço Municipal” em Iguape/SP é apresentado a prefeito, funcionários e sociedade

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O projeto de restauração do “Paço Municipal” ( Prédio da Prefeitura de Iguape/SP) foi divulgado em apresentação que reuniu na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira o prefeito municipal Tony Ribeiro, a Superintendente do Iphan em São Paulo, Anna Beatriz Ayroza Galvão, Secretários, Diretores de Departamento e demais funcionários da casa. Na ocasião, foi exposta a proposta de readequação das salas e divisões, além da correção de patologias existentes no prédio .

A partir de agora a Superintendência do Iphan em São Paulo iniciará os procedimentos para a licitação da obra em si , que está incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Cidades Históricas 2), um projeto do Governo Federal através do Ministério da Cultura e IPHAN. O valor previsto para a obra gira em torno de R$ 3 milhões .

Situado na esquina das ruas 9 de julho e 15 de Novembro ( que antigamente se chamavam Rua Direita e Rua da Glória, respectivamente) o prédio foi construído entre 1865 e 1866.  Era ocupado na sua parte térrea com os negócios e o escritório do Comendador e seu andar superior servia de residência para a família. Foi sede do Club Beneficente e Recreativo Iguapense e da Câmara Municipal. Em 1945 foi adquirido pela Prefeitura passando a ser , até os dias de hoje,  o Paço Municipal.

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Reunião técnica do IPHAN em Iguape/SP apresenta projeto de restauração do “Sobrado dos Toledos” à Mitra Diocesana

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Uma reunião técnica promovida pela Superintendência do Iphan em São Paulo, ocorrida na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, em Iguape/SP apresentou para os representantes da Mitra Diocesana de Registro, e técnicos da Superintendência  o projeto de restauração e novo uso do prédio “Sobrado dos Toledos” , de propriedade da Igreja Católica .
A apresentação ficou a cargo da arquiteta Milena Migoto, coordenadora do projeto de restauro desenvolvido pela empresa Atempo Preservação e Restauro , vencedora da licitação. ” O maior desafio foi associar as necessidades de restauração ao novo uso do imóvel e transformá-lo em um espaço multiuso abrigando desde o atendimento aos romeiros durante os festejos a Bom Jesus de Iguape, a palestras e eventos culturais durante o restante do ano” – disse Migoto.
Para a Superintendente do Iphan em São Paulo, arquiteta Anna Beatriz Ayroza Galvão ” o projeto do Sobrado dos Toledos é mais um presente que o Ministério da Cultura, através do Iphan em São Paulo oferece à nossa querida Iguape. Representa um passo decisivo para que se iniciem as tão esperadas obras de restauração dessa casa, desse marco monumental da cidade “
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Segundo o advogado Fellipe Fortes, representante da Mitra Diocesana em todas as tratativas envolvendo a recuperação do prédio, ““a restauração do Sobrado dos Toledos, não representa apenas a preservação do Patrimônio Histórico, mas também um passo ao futuro com a criação da “Casa do Romeiro”, cujo fim é acolher os devotos do Bom Jesus”
Para o Pe. Jaime Marcelo Maria Gato, ” é um sonho se realizando. Hoje participei da apresentação do projeto do Prédio do Toledo conhecido em Iguape como Prédio do Santo, só tenho em agradecer ao Ministério da Cultura e o IPHAN de São Paulo, junto com a Paróquia de N. Sra das Neves de Iguape, pelo grande presente que estarão dando a toda população Iguapense, a restauração do prédio do Santo, tornando assim um sonho realizado para todos nós e principalmente para a historia viva de nossa querida cidade a Princesa do Litoral (Iguape). “

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O  prédio foi construído na primeira metade do século XIX por José Carlos de Toledo, um dos homens mais ricos do seu tempo, mas que morreu empobrecido. Após, foi confiscado pela Justiça e em 1879, os herdeiros adquiriram o sobrado do Juízo Municipal de Iguape.  Em 1931, devotos do Bom Jesus, os herdeiros doaram o prédio ao Santuário de Iguape para que abrigasse romeiros pobres durante as festividades do padroeiro, que hoje é conhecida como a segunda maior festa religiosa do estado de São Paulo. Nesta época o prédio era conhecido como “Sobrado do Santo”. Depois de alguns anos, foi dividido e alugado a diversos empreendimentos locais, como clubes, bares, associações e até um cine teatro.

Confira aqui a 13ª edição do Boletim do Patrimônio Cultural

BPC

Clique na imagem e leia, em PDF, o Boletim do Patrimônio Cultural, produzido pela Assessoria de Comunicação  do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).Este é o informativo eletrônico com notícias sobre o Patrimônio Cultural Brasileiro e Mundial, IPHAN e outros assuntos de interesse a gestores e parceiros ativos no trabalho de preservação, valorização e divulgação do Patrimônio Cultural.

Iphan lança Carta de Serviços ao Cidadão em Brasília

Já está disponível no site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a Carta de Serviços ao Cidadão. Uma publicação que permite o acesso  de maneira fácil a informações sobre quais são e como obter os serviços prestados pela Instituição. Acesse aqui.

A cerimônia de lançamento aconteceu em Brasília, nesta quarta-feira, dia 23 de julho,  com a presença da Ministra Interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, da presidenta do IPHAN, Jurema Machado, do Secretário Executivo da Controladoria Geral da União (CGU) Carlos Higino Ribeiro de Alencar representando o Ministro-Chefe da CGU, Jorge Hage; da Secretária de Gestão do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Ana Lúcia Amorim de Brito, além de gestores de outras instituições e funcionários do IPHAN e do Ministério da Cultura.

A presidenta do IPHAN, Jurema Machado, abriu a cerimônia relembrando o início dos trabalhos do Instituto, em 1937 e mostrando a correspondência trocada entre o fundador do IPHAN, Rodrigo Melo Franco de Andrade, e um morador de Ouro Preto (MG), Manuel de Paiva. As cartas trocadas entre agosto de 1938 e maio de 1969 revelam – além de uma amizade que se consolidou ao longo de 30 anos – a dedicação à preservação do patrimônio cultural brasileiro. De acordo com a presidenta do IPHAN, “essa relação, pautada pelo interesse público, rendeu ao IPHAN 1.136 documentos diversos, entre fotografia, cópias de recibos e outros registros. Rendeu também conhecimentos fundamentais sobre vários artistas, em especial Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho”.  Jurema Machado ressaltou que a primeira Carta de Serviços ao Cidadão, lançada agora pelo IPHAN, é uma atitude corajosa da instituição que “vem consolidar todos os desafios que  nos são trazidos pela sociedade“. Concluiu dizendo que  este é um compromisso público do IPHAN com aprimoramentos futuros.

O Secretário Executivo da CGU, Carlos Higino Ribeiro de Alencar, apresentou a palestra os princípios da Transparência Pública no Brasil enfatizando que a Lei diz que todo cidadão tem garantia de acesso às informações produzidas pelo poder público. Por isso, o sigilo nos dias de hoje, aconteceria apenas em casos excepcionais. Higino também parabenizou o IPHAN pelo lançamento da Carta de Serviços ao Cidadão explicando que “este é um instrumento que ajuda a população a exercer seu direito de acesso à transparência pública”.

A ministra interina da Cultura,  Ana Cristina Wanzeler, encerrou a solenidade de lançamento da Carta de Serviços destacando que “o cidadão é o foco principal do nosso trabalho e a Carta vem confirmar o compromisso de garantir a transparência pública”.

A Carta de Serviços é uma prática com êxito em diversas organizações públicas de vários países, tendo o cidadão como o principal agente que participa das melhorias dos serviços públicos oferecidos. O objetivo é que essa abertura possibilite e estimule a formação de cidadãos, tendo como direcionamento a transparência e a participação da sociedade no processo de qualificação e de legitimação dos resultados da administração pública. Sua realização foi possível graças a participação de todos os gestores e servidores.

Caderno de Obra : Prédio do Correio Velho, em Iguape/SP

Esta série de posts “Caderno de Obra” está mostrando a evolução das obras de restauração do Correio Velho, da Casa de Fundição e futuramente do Paço Municipal e Sobrado dos Toledos, em Iguape.

As fotos acima mostram a situação no canteiro de obras do Correio Velho na data de 2 de junho de 2014, em Iguape/SP.

Construído no século XIX, marco da prosperidade iguapense, o prédio estava  em adiantado estado de deterioração, mas graças ao tombamento alcançado no ano de 2009, agora a cidade é contemplada com investimentos do Governo Federal para a total restauração do prédio trazendo de volta à Praça São Benedito o visual suntuoso das sacadas e telhados do Correio Velho, muito parecido como foi em sua concepção original pelo lado de fora e ainda abrigará importantes acervos em seu interior.

Segundo o site da Prefeitura de Iguape, “o prédio do Correio Velho, construído no antigo Largo de São Francisco, atual Praça São Benedito, foi inaugurado no ano de 1839. Reformado em 1893, foi adquirido pelo coronel Agostinho José Moreira Rollo e posteriormente pertenceu ao comendador João Mâncio da Silva Franco. A partir de 1926, passou a abrigar a agência dos Correios e Telégrafos, que lá permaneceu até 1951. Suas paredes externas são de pedra e cal e as internas eram de taipa francesa. Possuía telhado em duas águas com beiral e sacadas com grades de ferro fundido trabalhado.

Segundo a tradição, nele teriam pernoitado as tropas de Duque de Caxias e Osório, em viagem ao Sul do país, durante a Guerra do Paraguai, ainda que nenhum registro tenha sido encontrado. O prédio do Correio Velho, apesar de sua importância histórica e arquitetônica, encontrava-se em avançado estado de deterioração, tendo restado de pé somente as fachadas.”

Para se ter uma idéia da condição do prédio imponente construído em 1839, símbolo da riqueza paulista na época , o telhado de duas águas desabou e acabou sendo removido.

O novo prédio do Correio Velho está sendo restaurado e prevê acessibilidade, por meio de elevadores, climatização para receber e manter documentos, além de cinemateca, biblioteca, área para palestras, cursos, entre outros para fomento da cultura e preservação do patrimônio.

A restauração é o resultado do Convênio Nº 64740/2011, celebrado entre o Iphan e a Prefeitura de Iguape. A licitação para a  restauração teve como vencedora a empresa Companhia de Restauro , com o valor global de R$ 1.866.257,04 . A previsão de entrega é dia 13 de fevereiro de 2015.

Edital é lançado para inventário sobre as Congadas no Estado de São Paulo

Ilustração : Rugendas

Estão abertas, até o dia 30 de junho de 2014, as inscrições para o edital de chamamento público Congadas de São Paulo: Inventario Nacional de Referências Culturais (INRC) Levantamento Preliminar. Será selecionada uma proposta para a realização de projeto relacionado com a identificação e reconhecimento da manifestação das Congadas no Estado de São Paulo, como Patrimônio Cultural Brasileiro.

A abrangência do Congado é nacional, mas cada estado apresenta suas particularidades. Em função da mobilização dos Congados em outros estados, o INRC do Congado Paulista é uma necessidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para complementar a pesquisa para a instrução de Registro interestadual.

O edital do processo seletivo com os procedimentos e requisitos necessários já está disponível no site do IPHAN (acesse clicando aqui) e também pode ser retirado na Superintendência do IPHAN em São Paulo, localizada na Avenida Angélica, 626, Higienópolis, São Paulo-SP, de segunda à sexta feira, de 10h às 17h. Outras informações podem obtidas ser pelo telefone (11) 3826-0744, ou pelo e-mail iphan-sp@iphan.gov.br

Memória : Casa do Patrimônio recebe professores de artes do Vale do Ribeira, em Iguape/SP

A Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, uma parceria entre o Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional , através da Superintendência em São Paulo e a Prefeitura Municipal de Iguape, recebeu nesta sexta (4) professores de artes da rede de ensino pública estadual que exercem suas atividades em escolas do Vale do Ribeira.

Na programação, palestras voltadas ao patrimônio material e imaterial como “Um pouco de nós”, ministrada pela arquiteta Myrian Teresa e o painel “Resgatando Memórias”, com a professora Regina Aida Zimmer da Silva, do PCNP Arte, de Miracatu, idealizadora da ação.

Após as palestras, todos os participantes fizeram o percurso “Trilha da Memória”, despertando sentidos e sensações pelo centro histórico de Iguape.

Um dia inteiro de educação patrimonial de excelente qualidade , em conteúdo e propósito, como mostram algumas fotos do slideshow.

Show de bola !!!

História de um monumento : Igreja Matriz de Itanhaém

foto: Prefeitura de Itanhaém/Divulgação

Por Carlos Gutierrez Cerqueira

“Itanhaém, onde a história é muito mais restrita do que a lenda” (Serafim Leite, S.I. – História da Cia. de Jesus no Brasil, Lisboa, 1938, p. XVI)
Em fevereiro de 1767, decorrido cerca de um ano na governança da Capitania de São Paulo, Morgado de Mateus remete carta aos vereadores de Itanhaém solicitando, entre outras informações, notícias sobre a fundação da vila. A resposta dos camaristas deu-se nos seguintes termos:
Fizemos rever em nossas presença(s) com a exacção mandada pr. V. Exª … os Livros desta Camera, e nelles Se não acha memória da fundação e criação desta Vila unicamente, consta por tradição Ser huá das primras. povoaçoens desta America. (Ofício datado de 25 de abril de 1767) (1)
Assim, na falta de uma memória, constatando a inexistência de documentos que atestassem a origem da Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, cerca de dois séculos e meio depois de sua criação, o recurso que restava aos camaristas era valerem-se da tradição. Dela iria valer-se também o historiador Benedito Calixto ao afirmar que Itanhaém foi fundada por Martim Afonso de Sousa, donatário da capitania de São Vicente, no ano de 1532. Frei Basílio Rower, porém, discorda: teria sido fundada por Pedro Namorado, comandando da expedição daquele fidalgo português, em 1533 (2); enquanto outro historiador afirmara que o fundador teria sido Francisco de Morais, loco-tenente da mesma expedição, sem porém dizer em que ano (3). Não há, todavia, nada que comprove nem a data nem quem, de fato ou oficialmente, foi o seu fundador. Tradição ou lenda, por meio delas remonta-se a origem de Itanhaém.

Clique nos links para ler a íntegra do artigo :

História de um monumento Igreja Matriz de Itanhaém – 1ª Parte

História de um monumento Igreja Matriz de Itanhaém – 2ª Parte (Mário de Andrade visita Itanhaém)

Reunião entre Companhia de Restauro, Prefeitura de Iguape e Iphan ajusta procedimentos para início da restauração do Correio Velho, em Iguape

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Uma reunião nesta segunda-feira (10) entre representantes da empresa Companhia de Restauro, da Prefeitura Municipal de Iguape e da Superintendência do Iphan em São Paulo definiu alguns procedimentos técnicos e administrativos que serão adotados na obra de restauro do Correio Velho, situado na Praça São Benedito em Iguape. Esta obra, executada pela Prefeitura Municipal de Iguape com verbas oriundas do IPHAN,  está sendo aguardada com muito interesse por parte da população . O “Correio Velho” é um imponente prédio construído em 1839. Após a sua restauração ele deve abrigar um centro cultural e de memória. O edifício, com paredes externas de pedra e um conjunto de janelas e sacadas, passou por reforma em 1893, ao ser adquirido pelo coronel Agostinho José Moreira Rollo. Pertenceu depois ao comendador João Mâncio da Silva Franco e, a partir de 1926, passou a abrigar a agência dos Correios e Telégrafos até 1951. O telhado de duas águas desabou e foi removido. Segundo a tradição oral, o prédio também abrigou as tropas do General Osório e de Duque de Caxias em viagens ao sul do País, durante a Guerra do Paraguai.

Gente que vem…

foto: Renata Paiva

Da esquerda para a direita: Mauro Miyashita (Condephaat), Jennifer Abreu (Prefeitura de Iguape), Beto Bertagna (Escritório Técnico do Iphan) e Myrian Teresa (Casa do Patrimônio). foto: Renata Paiva

Esteve visitando a Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, o técnico do Condephaat, Mauro Miyashita. Na ocasião, foi realizada uma reunião informal com os técnicos do Iphan que atuam no Vale do Ribeira e da Prefeitura de Iguape , para discutir ações de fiscalização, em prol da defesa do patrimônio histórico. Em pauta também, as obras do PAC Cidades Históricas, bem como a restauração do Correio Velho, num convênio da Prefeitura com o Iphan.

“Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos” é lançado em versão on-line

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lançou a versão online da publicação Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos. A expectativa é que a publicação seja um marco institucional que referencie as ações e experiências no âmbito da Educação Patrimonial, de forma a articular de maneira participativa as unidades do IPHAN, outras instâncias governamentais e a sociedade civil como agentes de uma política com abrangência nacional.

Produzido pela Coordenação de Educação Patrimonial (Ceduc) do Departamento de Articulação e Fomento (DAF/IPHAN), a publicação é resultado de um percurso amplo de debates, pesquisas teóricas e avaliações das práticas e ações educativas voltadas à preservação do Patrimônio Cultural, dentro e fora do IPHAN. Seu conteúdo consolida as atuais diretrizes conceituais e macroprocessos institucionais com os quais o IPHAN tem atuado. O trabalho marca o esforço em constituir o campo da Educação Patrimonial como uma área finalística, de caráter transversal e dialógico, dedicada à promoção, coordenação, integração e avaliação da implementação de programas e projetos educativos no âmbito da Política Nacional do Patrimônio Cultural.

Dividido em três partes, o livro Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos descreve, em primeiro lugar, a trajetória histórica de ações educativas dentro do IPHAN, destacando documentos, iniciativas e projetos utilizados como estratégia de proteção e preservação do patrimônio sob sua responsabilidade. Em seguida, volta-se para a descrição dos fundamentos conceituais que amparam as atuais políticas da área. Por fim apresenta os três macroprocessos institucionais desenvolvidos pela Ceduc: inserção do tema patrimônio cultural na educação formal; gestão compartilhada das ações educativas; e a instituição de marcos programáticos no campo das ações de Educação Patrimonial.

Para ter acesso à publicação Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos clique aqui.

Edital para obra de restauração da Casa de Fundição (Museu Municipal de Iguape) também está no ComprasNet

MINISTÉRIO DA CULTURA
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

9ª Superintendência Regional

Código da UASG: 343009


Tomada de preço Nº 5/2013
Objeto: Objeto: Contratação de empresa especializada para execução de Restauração da Antiga Casa de Fundição, localizada na cidade de Iguape/SP.
Edital a partir de: 28/11/2013 das 10:00 às 12:00 Hs e das 15:00 às 17:00 Hs
Endereço: Av. Angelica 626 – Santa Cecilia – – São Paulo (SP)
Telefone: (0xx11) 38260744
Entrega da Proposta: 13/12/2013 às 10:30Hs

Veja aqui o Edital em PDF >TP 052013 – Casa de Fundição Iguape

Visita do Coordenador Nacional do PAC Cidades Históricas à Iguape reforça ações do Iphan no Vale do Ribeira

pac

A visita à Iguape do Coordenador Nacional do PAC Cidades Históricas, Robson Almeida, junto com a Superintendente do Iphan em São Paulo, Anna Beatriz Ayroza Galvão nesta sexta-feira (22) vem reforçar as ações que o Iphan está desenvolvendo no Vale do Ribeira. As autoridades se reuniram com o  prefeito Tony Ribeiro, quando foi explicado o andamento dos projetos. Logo em seguida foi feita uma visita às 3 edificações contempladas com os recursos do PAC Cidades Históricas : o Paço Municipal, o Museu (antiga Casa de Fundição) e o Sobrado dos Toledos. Anna Beatriz Ayroza Galvão ressaltou que as obras serão executadas diretamente pelo Iphan , que realizará as licitações necessárias para sua execução.

Leia também >

Veja aqui quais são as obras do Iphan através do PAC Cidades Históricas em Iguape

Editais para projetos de restauração do Paço Municipal e do Sobrado dos Toledos já foram lançados no ComprasNet, o portal de compras do Governo Federal

Prefeitura de Iguape publica Edital para restauração do prédio do Correio Velho

correio-velhoA Prefeitura Municipal de Iguape publicou o Edital que trata da Concorrência Pública relativa às obras de restauração e novo uso do edifício do Correio Velho, situado na Praça Engenheiro Greenhalg, s/nº , no Centro Histórico da cidade.

O preço máximo estabelecido para a obra é de R$1.881.382,30 (Um milhão oitocentos e oitenta e um mil trezentos e oitenta e dois reais e trinta centavos) .

O valor é proveniente do Convênio Nº 64740/2011- Iphan e Prefeitura de Iguape.

A abertura dos envelopes será pontualmente às 10:00 hs do dia 8 de novembro de 2013 na Prefeitura Municipal de Iguape, situada à Rua XV de novembro, nº 272, Centro, Iguape/SP.

Veja aqui o Edital Completo em PDF

Em São João del-Rei / MG, Presidenta Dilma anuncia R$ 1,9 bilhão para PAC Cidades Históricas. Iguape é uma das cidades contempladas

Iguape foi uma das cidades contempladas com a verba do PAC Cidades Históricas foto: R.Stuckert/PR

Com um total de R$ 1,6 bilhão em obras de restauração, o que representa acréscimo de R$ 600 milhões em relação à previsão divulgada em janeiro, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a relação das ações que serão contempladas no PAC Cidades Históricas ao longo dos próximos três anos.
Além dos recursos para obras que serão destinados a 44 cidades de 20 estados brasileiros, outros R$ 300 milhões serão utilizados como linha de crédito para o financiamento de restauro e obras em imóveis privados localizados em áreas tombadas. O Programa do Governo Federal envolve, em sua formulação e implementação, os Ministérios da Cultura e do Planejamento e o IPHAN.
“Conhecer, respeitar e preservar as cidades históricas são requisitos para construirmos nosso futuro como nação democrática, civilizada e capaz de se erguer sobre os prórprios pés. Investindo no patrimônio Cultural estamos investindo em nós mesmos”, disse a presidenta Dilma Rousseff.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, e a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Jurema Machado, participaram da cerimônia, realizada nesta terça-feira, 20 de agosto, em São João del-Rei (MG).
A ministra Marta Suplicy destacou que “com o PAC Cidades Históricas, a gestão do Patrimônio Cultural ganha uma nova dimensão já que vai além da mera intervenção física nos monumentos protegidos uma vez que reforça o sentimento de pertencimento e de cidadania em relação aos símbolos de nossa cultura”.

Jurema Machado também comemora o anúncio ressaltando que “inserir o patrimônio no programa estratégico de desenvolvimento do governo e uma medida emblemática. Os investimentos – o maior volume já disponibilizado para o IPHAN em toda a sua trajetória – significam também mais vitalidade para os ambientes urbanos, tendo o patrimônio cultural como vetor de desenvolvimento”, conclui a presidenta do IPHAN.

Recuperação

O PAC Cidades Históricas, mais do que conservar imóveis tombados, privilegiará a recuperação de edificações destinadas a atividades que favoreçam a vitalidade dos sítios históricos. Entre as 425 obras, 115 serão em imóveis que abrigam equipamentos culturais, como teatros, cinemas e bibliotecas, além dos 39 que museus cujos edifícios também serão recuperados pelo Programa.

O sistema de fortificações do litoral brasileiro, valioso como patrimônio e como potencial turístico, será contemplado com nove das mais importantes fortalezas, entre elas a de Sao Marcelo, em Salvador (BA), a dos Reis Magos, em Natal (RN), e a de Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha (PE). Dando continuidade a uma estratégia que vem sendo adotada com sucesso pelo IPHAN para a dinamização das áreas tombadas, 11 edificações integrantes de campi de universidades públicas também estarão entre as restauradas.
 
O PAC Cidades Históricas dará especial ênfase ao patrimônio ferroviário, hoje sob tutela do IPHAN, com 24 obras que possibilitarão novos usos a estações e conjuntos ferroviários, como, por exemplo, os emblemáticos complexos de Paranapiacaba, em Santo André (SP), e de São João del-Rei (MG). Um vasto conjunto de igrejas tombadas, de valor artístico e cultural, também será preservado.
 
 
O modelo de desembolso do programa não prevê repasse integral às prefeituras, mas sim a liberação de recursos à medida em que as obras forem licitadas.
 
Os municípios selecionados nesta primeira etapa foram aqueles que preencheram uma ou mais das seguintes condições: possuir bens tombados em nível federal; ser declarados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade; possuir conjuntos urbanos em situação de risco ao patrimônio edificado; ou serem conjuntos urbanos que constituam marcos no processo de ocupação do território nacional.
A proposta do PAC Cidades Históricas é buscar a recuperação e a revitalização das cidades, a restauração de monumentos protegidos, o desenvolvimento econômico e social e dar suporte às cadeias produtivas locais, com a promoção do patrimônio cultural.
 
Dilma destaca potencial econômico de cidades históricas
 
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (20), na cidade histórica de São João Del Rei, em Minas Gerais, que tais municípios são uma “extraordinária” afirmação do Brasil e autoafirmação do povo brasileiro, além de terem grande potencial turístico e de geração de emprego e renda.
“Não tenho dúvida de que nossas cidades históricas são uma extraordinária afirmação do Brasil, uma extraordinária autoafirmação do povo brasileiro, chamariz para o turismo, para viagens culturais, gerando emprego e renda para a população e receitas para os municípios”, destacou a presidenta, ao anunciar o repasse de R$ 1,6 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas até 2015. Dilma lembrou que o programa tem como objetivos a preservação histórica e a geração de riqueza.
 
Além de R$ 1,6 bilhão em investimentos, Dilma anunciou uma linha de crédito de R$ 300 milhões para financiar obras em imóveis particulares localizadas em 105 cidades com áreas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
 
“Sabemos que a beleza e a riqueza dos bens públicos são ampliados se a totalidade do sítio histórico for preservada, daí porque, junto com a preservação dos bens públicos, criaremos uma linha de financiamento para a recuperação de patrimônio privado de grande relevância cultural e histórica.”
 
Na lista do PAC Cidades Históricas, estão municípios como as capitais da Paraíba, do Maranhão e do Pará, João Pessoa, São Luís e Belém, São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, Corumbá, em Mato Grosso do Sul,  São Luís do Paraitinga e Iguape em São Paulo. Segundo a prefeitura, São João Del Rei, a cidade escolhida para o anúncio dos recursos receberá R$ 550 mil para sinalização turística.
 
No discurso, Dilma ressaltou que o local da cerimônia não poderia ser mais adequado e mencionou os brasileiros ilustres nascidos na cidade: o ex-presidente Tancredo Neves, o escritor Otto Lara Resende, a beata Nhá Chica, filha e neta de escravos, e a poetisa Bárbara Heliodora, que recebeu o tratamento de heroína da Inconfidência. A presidenta lembrou que esteve em São João Del Rei no início da campanha presidencial. “Naquele momento, eu prometi que o Brasil teria um PAC das cidades históricas, e estou aqui para levar a cabo esse PAC.”

ISA lança livro Inventário Cultural Quilombola do Vale do Ribeira

O projeto do inventário teve início em 2009 com a capacitação de agentes culturais quilombolas para aplicar a metodologia do INRC (Inventário Nacional de Referências Culturais), elaborada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artísitico Nacional (Iphan). Depois de três anos de conversas,oficinas, entrevistas e filmagens, os resultados finalmente vêm a público por meio desta publicação. (Faça aqui o download)

O levantamento realizado identificou 180 bens culturais: 29 Celebrações, 24 Formas de Expressão, 23 Ofícios e Modos de Fazer, 75 Lugares e 29 Edificações. A incidência destes bens culturais foi analisada em cada um dos 16 quilombos. Os verbetes apresentados no livro trazem descrições e sínteses comparativas do material oriundo dos 16 territórios e permite visualizar recorrências e variações nos modos de fazer, nos nomes atribuídos localmente, nas ênfases a determinados aspectos do bem cultural.

Ao organizar e sistematizar os resultados desta pesquisa, buscou-se privilegiar as falas diretas dos sujeitos que contribuíram de forma decisiva para tornar acessível ao público em geral um pouco mais do cotidiano e da história dos quilombos. Os quilombolas são co-autores do livro. (Veja no final o quadro com um resumo de cada texto).

O projeto conta também com um registro audiovisual de 120 minutos de duração que foi lançado na ocasião do seminário final do projeto (Saiba mais).

Foi também neste seminário que as comunidades ali reunidas definiram que o sistema agrícola – formado por diversas práticas e conhecimentos ligados ao cultivo, além de expressões culturais associadas – consiste no bem cultural mais importante e compartilhado entre as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, sendo necessário, portanto, implementar ações para a sua salvaguarda. A solicitação de registro do sistema agrícola quilombola foi formalizada junto ao Iphan e o processo aguarda instrução para tramitar.

Patrimônio ameaçado

Uma parte considerável dos bens culturais quilombolas (37% ) encontram-se na condição de memória e ruína, ou seja, deixaram de ocorrer, ou ocorrem de maneira precária, fragmentada ou espaçada no tempo. Embora as mudanças façam parte da dinâmica cultural, o declínio de práticas estruturantes do modo de vida quilombola (como os puxirões de trabalho realizados em grande tarefas agrícolas) é motivada pela insegurança territorial e por uma legislação ambiental que proíbe a roça de coivara.

Há também conhecimentos tradicionais que são cada vez mais desvalorizados pelas gerações mais jovens, coincidindo com o advento das escolas. Como exemplo, pode-se indicar a fabricação de artefatos utilizados no cotidiano doméstico e a construção de casas com recursos da floresta, cada vez mais raros. As atividades de canoeiros, benzedores e curandeiros também estão neste conjunto.

Destaques

As celebrações identificadas revelam a influência do catolicismo popular na vida religiosa das comunidades. A corrida da Bandeira do Divino Espírito Santo é a celebração mais difundida. São também bastante comuns as festas em homenagem aos santos padroeiros (Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, São Miguel Arcanjo, São Benedito, São José, Bom Jesus, Santo Antônio, Santa Catarina, São Vicente de Paula e Santa Luzia). A procissão noturna da Recomendação das Almas que já foi muito praticada, hoje é celebrada em apenas duas comunidades (Saiba mais).

Diversas danças praticadas nos bailes de mutirão e bailes após as celebrações religiosas não ocorrem mais, ou ocorrem raramente. Dança do chapéu, cobrinha, macacada, rancheira e xote balanceado não são mais encontradas em nenhuma comunidade. O fandango batido resiste em duas comunidades, e a Dança de São Gonçalo é encontrada com vigor em dois quilombos de Iporanga. Os cantos de funeral (chamados incelências) embora conhecidos em muitos quilombos, não são entoados em nenhuma comunidade. Narrativas míticas, fábulas e histórias que integram a literatura oral das comunidades ainda são contadas pelos mais velhos, aparecendo como modo de transmissão de conhecimentos e entretenimento.

A categoria dos ofícios e modos de fazer consiste na mais íntegra das categorias do inventário, revelando a forte relação das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira com a atividade agrícola e de forma geral com atividades de produção da vida cotidiana (Saiba mais). Destacam-se a importância e difusão de bens culturais como: Modo de Fazer Roça, Processamento dos alimentos (arroz, milho, cana, mandioca), Ofício de artesão e Modo de fazer casa de pau a pique. Entre os bens culturais em declínio estão os ofícios de parteira e benzedor, a produção de canoas e seu uso como meio de transporte e para atividade de pesca.

Os lugares identificados como bem cultural veiculam significados e memórias inscritos no espaço territorial das comunidades. No conjunto, destaca-se a importância dos rios – Ribeira, Pilões, São Pedro, Pedro Cubas, Nhunguara e Peropava – e das áreas de cultivo, antigas e recentes, e caminhos de tropa, por onde perambulavam as pessoas antes da abertura das estradas de acesso aos quilombos. Apareceram também lugares como grotas, morros e pedras que servem de referência topográfica.

As edificações identificadas são aquelas que estão associadas aos bens imateriais inventariados e consistem em igrejas, casas de farinha e ruínas de obras edificadas no período da escravidão. Algumas comunidades incluíram também centros comunitários pela importância que eles assumem na condução de assuntos coletivos.

No livro, o  primeiro texto, “Comunidades Quilombolas e o Vale do Ribeira”, procura situar o Vale do Ribeira, de forma breve, contando a história de sua ocupação, a chegada dos negros trazidos da África para trabalhar como escravos na mineração, e posteriormente na agricultura. O surgimento dos primeiros quilombos que se configuram nos dias atuais em um verdadeiro corredor socioambiental com comunidades encravadas no meio da mais importante área contínua de remanescente de Mata Atlântica conservada do país.

O segundo texto, “Patrimonialização de bens culturais”, descreve a política pública de patrimônio imaterial, indicando diretrizes fundamentais para implementação de ações de salvaguarda e o reconhecimento público (do Estado e da sociedade) do valor patrimonial de conhecimentos e práticas tradicionais.

O terceiro texto, “O inventário passo a passo”, descreve as razões dos quilombolas para a construção e implementação do projeto para o inventário. A metodologia participativa aplicada para a coleta, validação das informações, tomada de decisões e os encaminhamentos após os resultados validados.

O quarto texto, “Panorama do patrimônio cultural quilombola no Vale do Ribeira”, apresenta a situação atual dos bens culturais quilombolas levantados nas 16 comunidades participantes do projeto a partir de sua condição, seguindo a classificação definida pela metodologia do INRC-Iphan, segundo seu estado de conservação: íntegro, memória ou ruína. Chama a atenção o fato de que a maioria dos bens culturais inventariados esteja classificado como íntegro. Por outro lado, é possível verificar que se trata de uma situação transitória, precária e com riscos, na medida em que muitos destes bens são conhecidos ou praticados por poucas pessoas das comunidades.

Os textos seguintes, organizados por categoria, apresentam verbetes com a descrição dos bens culturais identificados.
Na sessão anexa intitulada Bens culturais por comunidade, o leitor encontrará informações sobre os quilombos incluídos no escopo do projeto e a lista de bens culturais específica de cada comunidade.

O livro está disponível em formato PDF no endereço http://www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/publicacoes/pdf-publicacao-final_inventario.pdf

Veja os vídeos :