Grandes escritores fazem a festa no III FLI – Festival Literário de Iguape

fliNão é sempre que apaixonados por literatura e livros de modo geral correm o risco de cruzar pela rua em um mesmo dia com grandes nomes como os premiados Milton Hatoum, Ignácio de Loyola Brandão, Eduardo Bueno e o mestre das histórias de vampiro André Vianco. E até Luiz Melodia, escalado para um show. Bom, isso pode acontecer com quem for a Iguape entre 6 a 9 de maio para participar do III Festival Literário de Iguape.

A abertura desta edição será na noite do dia 6, a partir das 20 horas, na Oficina Cultural Gerson de Abreu, com a exposição Fotoescritura em Haroldo de Campos, que tem curadoria de Bruno Giovannetti. Numa fusão criativa entre imagem e palavra, a metrópole se transfigura no diálogo entre as fotos de Bruno Giovanetti e os poemas de Haroldo de Campos.

Programação de quinta-feira

Na quinta-feira, às 11h, a escritora Veronica Stigger participa do bate-papo Elementos Básicos da Ficção. A ideia é incitar os participantes a criarem suas próprias narrativas. Vencedora do prêmio São Paulo de Literatura de 2014, Veronica é doutora em história da arte, professora universitária e crítica de arte, além de escritora.

Contos e cantos do folclore brasileiro: apresentação de João Acaiabe ocorrerá às 13h30, com um espetáculo para despertar a fantasia e a imaginação do público: o ator João Acaiabe apresenta contos, lendas, poemas e cantigas do repertório tradicional brasileiro, com momentos pontuados e acentuados pela música e por efeitos sonoros. Conhecido pela sua interpretação do Tio Barnabé na série de TV Sítio do Pica pau Amarelo, João Acaiabe é também um respeitado ator de teatro, premiado com Mambembe e Governador do Estado pelo espetáculo Vamos jogar o jogo.

No mesmo dia, às 16h, Frederico Barbosa, poeta, professor de literatura e diretor da Casa das Rosas, falará sobre o essencial da vida e da obra de grandes poetas nas palestras Poesia Aperitivo. Este ano, os poetas destacados serão o satirista barroco Gregório de Matos, apelidado de “Boca do Inferno” (quinta, às 16h), e o autor de Morte e vida severina, João Cabral de Melo Neto (sexta, às 11h).

Entre às 18h30 e 20h30, Marco Aurélio Olimpo dará o Workshop de Fotografia e Literatura, com o uso de câmeras simples ou celulares na elaboração de poemas ou textos narrativos, para fotógrafos amadores, estudantes de audiovisual e demais interessados. Olímpio dedica-se à documentação de shows e espetáculos musicais, assim como ao retrato de profissionais dessa área. Iniciou seu trabalho com fotografia como laboratorista no Sesc Pompeia e no laboratório de fotojornalismo e fotopublicidade da PUC-SP, universidade onde formou-se em História.

Milton Hatoum, um dos destaques no festival, faz a palestra O Universo de Graciliano Ramos, sobre o autor de Vidas secas a partir de uma perspectiva dupla, combinando a recordação de suas experiências pessoais de leitura do autor alagoano com uma discussão panorâmica de sua obra e do lugar central que esta ocupa na cultura brasileira. Escritor, tradutor e professor, Hatoum lecionou literatura na Universidade Federal do Amazonas e na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Escreveu quatro romances: “Relato de um Certo Oriente”, “Dois Irmãos”, “Cinzas do Norte” e “Órfãos do Eldorado”. Os três primeiros receberam o Prêmio Jabuti de melhor romance, sendo que “Cinzas do Norte” também conquistou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura.

Para finalizar o dia em grande estilo, às 22h, Jean Garfunkel, poeta, ator, cantor e compositor, realizará o espetáculo de música e poesia, com canções em vários estilos que abordam temas do cotidiano com muito humor e crítica.

Programação de sexta-feira

Na sexta-feira, entre 13h30 e 15h30, o Workshop: literatura.net discutirá o universo das mídias sociais como ferramentas importantes de comunicação entre jovens e seus mecanismos de difusão e circulação de trabalhos literários, especialmente de novos autores. A coordenação será do jornalista Alexandre Staut, que trabalhou em editorias de cultura e comportamento de jornais da capital paulista. Escreveu também os romances Jazz band na sala da gente (2010) e Um lugar para se perder (2012). Tem contos publicados na França e em Moçambique.

Para o público infantil, Conversa Ribeirinha: Espetáculo com Batucajé abrangerá contação de histórias e poesias que tem como cenário o Vale do Ribeira, ressaltando o linguajar peculiar e o modo de vida de sua gente. Em especial, quilombolas, índios caiçaras, ribeirinhos e caboclos. O trabalho do Batucajé é voltado às manifestações culturais das comunidades do Vale do Ribeira. O grupo é liderado pelo músico e compositor Antonio Lara e pelo poeta e declamador Júlio Costa.

Durante a tarde, às 16h, André Vianco apresentará o Universo Fantástico, que falará sobre a fantasia e o Brasil, cujas ruas, cidades e florestas têm servido de cenários para suas histórias. Vampiros ficam presos em túneis da cidade de São Paulo e saltam da ponte Rio-Niterói; visitantes de outro planeta chegam ao Vale do Anhangabaú; heróis vagam pelas nossas cidades desertas e adormecem no Rancho da Pamonha, na beira da estrada. André Vianco, consagrado autor brasileiro que explora o gênero sobrenatural (vampiros, anjos e batalhas entre o bem e o mal), continua investindo em ficção e fantasia.

Ainda na sexta-feira (8), às 16h, começa a oficina Sons do Vale do Ribeira: Oficina de Confecção de Instrumentos Musicais. A partir de histórias de povos brasileiros (índios, negros, caiçaras, ribeirinhos), Antônio de Lara Fernando Guiginski pretendem estimular a construção de instrumentos típicos da música da região, a partir de elementos sustentáveis da natureza. Lara é arte-educador, músico e compositor. Fernando Guiginski é construtor de instrumentos musicais e arte-educador.

Em seguida, às 17h30, tem início a performance Parada poética: três palhaços e a banda Santa Cecília de Iguape, com um grande cortejo pelas ruas da cidade e declamação de poemas de Clarice Lispector, Manoel de Barros, Shakespeare e Cecília Meireles.

Às 20h30, o escritor Evandro Affonso Ferreira, ganhador do Jabuti de melhor romance de 2013, conversa sobre as conquistas e as dificuldades da carreira literária no bate-papo Como e por que me tornei escritor. Ferreira despontou no meio literário em 2000, aos 55 anos, apresentado por José Paulo Paes. Publicou seus contos nos volumes Grogotó!, Araã!, Erefuê, Zaratempô! e Catrâmbias!

Ignácio de Loyola Brandão finaliza o segundo dia do evento, fará uma apresentação de literatura e música, às 22h, em companhia de sua filha Rita Gullo. Serão apresentadas músicas marcantes na vida do escritor e que serviram de inspiração para as crônicas e contos do livro Solidão no fundo da agulha. Este repertório foi gravado por Rita em um CD que é parte integrante do livro. O livro-CD deu origem a um show de música e literatura, que coloca pai e filha juntos no palco.

Programação de sábado

O sábado começa com o plantão de dúvidas S.O.S. Literatura, em dois períodos: das 10 às 12h e das 14h às 18h. O projeto é do Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas e funciona como um plantão para atendimento individual e orientação sobre as principais dúvidas de escritores, aspirantes a escritores e leitores a respeito de publicações, direitos autorais e edição de livros. Com a presença de profissionais do mercado e autores, serão discutidos temas como poesia e prosa, edição, marketing do autor e e-books.

Após o plantão, Liana Yuri – especialista em técnicas de engenharia de papel para a criação de livros pop-ups e livros artísticos – coordenará o Workshop de construção de livro pop-up. O objetivo é apresentar a técnica do pop-up, variação do tradicional origami japonês, em que as ilustrações de um livro saltam entre as páginas. As crianças produzirão imagens tridimensionais a partir de modelos pré-elaborados.

Para os apreciadores de uma boa cozinha, o Workshop culinária no Vale – da terra, lama e água é a grande pedida do dia. A atividade abordará a história e a cultura da culinária caiçara e mostrará as possíveis relações entre histórias de vida e os saberes da cozinha tradicional. Os participantes também degustarão receitas típicas, sob a coordenação de Fernando Nogueira, pesquisador, produtor cultural e educador.

O último bate-papo do festival apresenta O bacharel de Cananéia: bate-papo com Eduardo Bueno e Roberto Fortes, que discutirá o livro Náufragos, traficantes e degredados, que tem um capítulo sobre o personagem histórico conhecido como Bacharel de Cananeia. Bueno é escritor, publicou três títulos sobre história do Brasil – Viagem do descobrimento, Náufragos, traficantes e degredados e Capitães do Brasil. Também traduziu 22 livros, entre eles, a obra-prima Pé na Estrada (On the Road), de Jack Kerouac. Roberto Fortes, graduado em Letras, é escritor, poeta, historiador e jornalista. Publicou vários livros e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e editor da Tribuna de Iguape.

Encerramento com Luiz Melodia

O cantor e compositor Luiz Melodia fará uma apresentação do show Luiz Melodia – Voz e Violão. Ele interpreta seus maiores sucessos como Pérola negra, Magrelinha, Estácio, eu e você, Juventude transviada e Negro gato (canção que, embora não seja de sua autoria, foi responsável por apelidar o artista). Acompanhado de Renato Piau, seu violão e braço direito no palco.LM

Detalhe do Sobrado dos Toledos, em Iguape/SP

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Detalhe do Sobrado dos Toledos, em Iguape/SP que será completamente restaurado pelo IPHAN, através do PAC Cidades Históricas 2. Além de acolher romeiros durante os festejos religiosos tradicionais da cidade, o Sobrado dos Toledos terá um uso continuado pela população com exposições, palestras, e espaço para reuniões comunitárias.

Workshop de uso da cal desvenda mitos sobre suas aplicações, em Iguape/SP

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Uma oficina diferente foi realizada nesta quinta (25) na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira, em Iguape/SP.

De forma simples e prática, os trabalhos começaram com a apresentação do monitor Adriano Augusto Rocha, do Estúdio Sarasá que respondeu a diversos questionamentos dos participantes relativos ao dia-a-dia de quem usa a técnica da pintura a cal.

Após, o restaurador e conservador  Antonio L. S. Martin , o Toninho Sarasá brindou a heterogênea platéia composta por arquitetos, engenheiros, mestre-de-obras, pedreiros, pintores, artistas plásticos, músicos e professores com um show de conhecimento técnico onde desvendou as propriedades físicas e químicas da cal e a história do seu uso.

A seguir, os participantes seguiram para a Igreja de São Benedito, que já tinha a sua parede do fundo preparada para que individualmente fosse testada uma paleta de cores, bem como, as técnicas de proporção e mistura da cal com os corantes, exemplos de sua empregabilidade, processos de tratamento e “cura” .

Foi então demonstrada como a cal pode e deve ser usada efetivamente nas alvenarias históricas e em outros usos na região, por suas características , como alternativa de fácil aplicação, ótimo acabamento e relação custo-benefício, por garantir a “respiração” das paredes, além de ser usada em áreas sujeitas à elevada umidade.

Por ser um produto alcalino, a cal também exerce ação no combate a fungos, germes e bactérias, o que ameniza a formação de manchas causadas por infiltrações e a deterioração precoce dos revestimentos.

A Igreja de São Benedito,nos próximos dias,  será integralmente pintada na sua parte de alvenaria com a técnica explicada na oficina , valorizando ainda mais o patrimônio cultural de Iguape.

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O restaurador e conservador Toninho Sarasá explica minuciosamente a técnica para os participantes da Oficina. foto: B. Bertagna

> Veja aqui em PDF , a Apresentação Completa na Casa do Patrimônio Vale do Ribeira – 25 Setembro 2014

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