Professores e acadêmicos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Escola da Cidade elegem Iguape para estudo de caso

Com o intuito de entender como se dão urbanística, cultural e economicamente as  relações articuladoras de núcleos urbanos de pequeno e médio porte, nós, estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Escola da Cidade, elegemos, em conjunto com a sala e professores, a cidade de Iguape-SP como um rico estudo de caso, tendo a visita a campo como instrumento capaz de estimular a percepção ativa e crítica do desenvolvimento urbano.

Para a compreensão do panorama de Iguape foi essencial o apoio de figuras do poder público, sendo eles Beto Bertagna, da Casa do Patrimônio, a arquiteta Jennifer Abreu, do departamento municipal de Obras, a diretora municipal de Turismo Anísia Lourenço, o topógrafo Flávio Prata e o atual prefeito Wilson Almeida Lima, tal como a observação das dinâmicas cotidianas da cidade e o contato com os diversos grupos étnico-culturais da região (moradores do centro urbano, caiçaras, indígenas Guaranis Mbya, com o apoio da liderança do João e quilombolas), de modo que pudemos fazer considerações, aqui apresentadas brevemente, que servirão de base para a continuidade do estudo de caso.

Partindo da perspectiva histórica observada, concluímos que a estagnação econômica decorrente do assoreamento do porto gerou um isolamento da cidade que, sem grandes perspectivas de construção e renovação e à margem dos avanços econômicos do Estado, teve suas edificações coloniais e paisagens naturais preservadas de forma que os diversos grupos culturais iguapenses puderam, ainda, se desenvolver sem interferências externas tão significativas. Os planos de preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental por sua vez, são camadas mais recentes que buscam garantir a manutenção dessa paisagem; no entanto, em nossa visita, pudemos observar as dificuldades de realizar planos únicos com atores sociais tão diversos, sem que hajam interesses conflituosos e obstáculos para o pleno desenvolvimento, seja cultural ou econômico, das comunidades locais.

Refletimos que é essencial para o desenvolvimento da cidade que se estabeleçam diretrizes para o patrimônio natural e construído capazes de dialogar com as necessidades e iniciativas da população, abrangendo no debate discussões a respeito dos planos com os variados grupos étnico-culturais a fim de esclarecer os objetivos e reivindicações de cada um deles.

Do mesmo modo, olhando para a superação dos danos causados pelo Valo, compreendido também como patrimônio natural construído, é necessária uma ação ambiental promovida pelo Estado de São Paulo, e não apenas pela cidade, em que deve ser considerada sua reversão ou manutenção assistida.

Acreditamos que a organização urbana e o diálogo sejam pontos essenciais para um melhor desenvolvimento da cidade. Consideramos essencial o estabelecimento de uma regulamentação de zoneamento em todas as áreas do entorno, inclusive o bairro do Rocio, respeitando a forma histórica e ao mesmo tempo orientando o futuro crescimento da região.

Por fim, agradecemos enormemente a oportunidade e recepção. Esperamos que o contato estabelecido seja mantido e aprofundado, gerando produtos de valor mútuo à cidade de Iguape e ao aprendizado urbanístico.

 

Texto produzido pelos alunos Arthur Carmo, Lia Soares e Ligia Lanna, e orientado pela professora auxiliar Giulia Godinho à luz das discussões levantadas durante a viagem de estudos e de debates em sala de aula com colegas do quarto ano da disciplina de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Escola da Cidade, ministrada pelos professores Newton Massafumi e Vinícius Andrade.