Eu nasci dez mil anos atrás…

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”  Os primeiros habitantes pré-históricos da região hoje conhecida como o Estado de São Paulo estavam aqui um ou dois milhares de anos antes do que se imaginava – aproximadamente dez mil anos atrás, sem paródia à música de Raul Seixas—e eram um povo singular, com uma identidade aindaem construção. Estavam a meio caminho entre o homem do mar e o homem do mato. A rigor, não eram uma coisa nem outra, provavelmente um híbrido dos dois. Sua vida social emulava certos comportamentos de moradores do litoral, mas seus traços físicos lembravam, em alguns casos, os de habitantes do interior do Brasil. Eram talvez um reflexo da geografia que os abrigou: viviam geralmente próximos às margens dos cursos de água de uma zona de transição ambiental entre o planalto e a costa, o vale do rio Ribeira do Iguape, no sul do Estado de São Paulo, perto do Paraná. Os membros dessa cultura, que estavam distantes do mar algumas dezenas de quilômetros, enterravam seus mortos e os cobriam com uma grossa camada de conchas, legando para a posteridade um tipo de vestígio arqueológico conhecido como sambaqui, típico das populações da costa. ”

Artigo sobre arqueologia publicado na Revista Pesquisa FAPESP, de junho de 2005 mostra um crânio encontrado em sambaqui de rio no Vale do Ribeira.

Veja aqui o artigo completo de Marcos Pivetta, em PDF > Eu nasci há dez mil anos atrás… – Revista FAPESP

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Afinal, a primitiva capela jesuítica do Embu tinha ou não tinha torre ?

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Igreja do Embu restaurada – 1941 (foto H. Graeser)

Por Carlos Gutierrez Cerqueira

Nada melhor do que começar um artigo sobre a capela jesuítica de Embu relembrando a participação daquele que, ao lado de Paulo Duarte, tanto lutou pela sua preservação.[1] Sobre tudo se considerarmos que somente alguns meses nos separam da data em que poderemos comemorar os 70 anos de sua morte, que ocorrerá em 25 de fevereiro de 2015, próxima aliás dos 40 anos da morte de seu companheiro de SPHAN, o arquiteto Luís Saia, morto em 15 de maio de 1975, responsável pela sua restauração (1939-41).

No início dos trabalhos do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em São Paulo, Mário de Andrade tomou a si a tarefa de anunciar ao público paulista, através da Rotogravura do jornal O Estado de S. Paulo, o início dos trabalhos de restauração em terra paulista a cargo da então 4ª. Região do órgão recém-criado, e que tinham o propósito precípuo de salvar imediatamente da ruína o que possuímos de mais vetusto ou mais belo dentre os monumentos do patrimônio religioso e militar, remanescentes do período colonial.

Eram eles: o forte de São João, na Bertioga, a capela de São Miguel e a igreja e convento de Embu (nº 138, 1ª quinzena de julho de 1939).2

Clique Aqui e Continue Lendo o artigo completo em PDF > Afinal a primitiva capela jesuítica do Embu tinha ou não tinha torre?

E já que o assunto é o uso da cal…

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Clique na imagem para ir ao artigo completo

O arquiteto do Iphan/SP, Victor Hugo Mori apresentou este trabalho no ano de 1987, no curso de Especialização : Patrimônio Cultural – FAU-USP / FUPAM , “Técnicas Construtivas e Programas da Arquitetura Tradicional Paulista” , ministrada pelo Prof. Carlos Cerqueira Lemos.

“Nos primeiros séculos o uso da cal nas construções foi extremamente raro no planalto e predominou largamente no litoral paulista , extraída das ostreiras . O aproveitamento das conchas de sambaquis para o fabrico da cal precedeu em muito a cal extraída do calcáreo, e sua utilização no primeiro século foi com extrema parcimônia, restrita às edificações de importância. ”

Clique na imagem ou  >  aqui para ver em PDF o artigo completo > A cal de sambaqui 1987 , do arq. Victor Hugo Mori

Leia também > Workshop de uso da cal desvenda mitos sobre suas aplicações, em Iguape/SP

História de um monumento : Igreja Matriz de Itanhaém

foto: Prefeitura de Itanhaém/Divulgação

Por Carlos Gutierrez Cerqueira

“Itanhaém, onde a história é muito mais restrita do que a lenda” (Serafim Leite, S.I. – História da Cia. de Jesus no Brasil, Lisboa, 1938, p. XVI)
Em fevereiro de 1767, decorrido cerca de um ano na governança da Capitania de São Paulo, Morgado de Mateus remete carta aos vereadores de Itanhaém solicitando, entre outras informações, notícias sobre a fundação da vila. A resposta dos camaristas deu-se nos seguintes termos:
Fizemos rever em nossas presença(s) com a exacção mandada pr. V. Exª … os Livros desta Camera, e nelles Se não acha memória da fundação e criação desta Vila unicamente, consta por tradição Ser huá das primras. povoaçoens desta America. (Ofício datado de 25 de abril de 1767) (1)
Assim, na falta de uma memória, constatando a inexistência de documentos que atestassem a origem da Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, cerca de dois séculos e meio depois de sua criação, o recurso que restava aos camaristas era valerem-se da tradição. Dela iria valer-se também o historiador Benedito Calixto ao afirmar que Itanhaém foi fundada por Martim Afonso de Sousa, donatário da capitania de São Vicente, no ano de 1532. Frei Basílio Rower, porém, discorda: teria sido fundada por Pedro Namorado, comandando da expedição daquele fidalgo português, em 1533 (2); enquanto outro historiador afirmara que o fundador teria sido Francisco de Morais, loco-tenente da mesma expedição, sem porém dizer em que ano (3). Não há, todavia, nada que comprove nem a data nem quem, de fato ou oficialmente, foi o seu fundador. Tradição ou lenda, por meio delas remonta-se a origem de Itanhaém.

Clique nos links para ler a íntegra do artigo :

História de um monumento Igreja Matriz de Itanhaém – 1ª Parte

História de um monumento Igreja Matriz de Itanhaém – 2ª Parte (Mário de Andrade visita Itanhaém)

Capelas Rurais Paulistas dos séculos XVII e XVIII

foto : Júlio Moraes

foto : Júlio Moraes

Por Carlos Gutierrez Cerqueira

Prólogo

A historiografia nos convida a imaginar a vida na extensa circunvizinhança de São Paulo de Piratininga dos dois primeiros séculos como a pintura de uma paisagem predominantemente rural, os morros cobertos por matas, com pequenas aberturas onde se cultivam os víveres indispensáveis à subsistência das famílias espalhadas por este vasto e bucólico cenário, em suas moradias, sempre rodeadas por índios trabalhando, cingindo a terra, conduzindo o gado, transportando coisas. Uma dessas moradas se destaca sobremaneira já pelo portal de entrada, todo em madeira lavrada, onde, logo depois de ultrapassá-lo, se vê alguns cavalos num cercado tosco tendo ao lado algumas cocheiras, de onde prossegue um caminho adornado por roseiras e marmeleiros de lado a lado até encontrar um pátio onde se dispõem diversas benfeitorias. O observador atento logo se apercebe da rara presença de mulher branca, aqui apenas assinalada numa figura postada ao lado de um homem barbudo que parece dar ordens, a partir da varanda de uma casa larga e atarracada, a um grupo de índios que se dirige a uma capela alpendrada posicionada a pouca distância. Bem ao lado da capela alguns índios se ocupam em fincar um pau comprido encimado por uma bandeira, prenunciando alguma festividade. Outro grupo, este só de índias, se concentra em torno de umas choças, não muito distantes da mencionada casa, onde preparam comidas em abundância. A normalidade cotidiana parece algo alterada diante de tanta atividade. Alheio a tanta agitação, um padre, provavelmente da Companhia de Jesus, catequiza um grupo de indiozinhos, que parecem entonar cânticos religiosos. Bem mais adiante, após ultrapassar um trigal bem proporcionado, surge um panorama não muito diverso, exceto em relação à escala dos elementos antes mencionados, que se dispõe em unidades ao longo de um caminho plano, umas de tamanho médio, outras menores, demarcadas por valas e arvoredos de espinho, retratando a vida mais modesta de seus moradores que, todavia dispõem igualmente de alguns índios para o trato de suas lavouras e criações. O caminho prossegue e mais adiante ainda se vê um grupo de índios transportando sabe-se lá o quê em grades feitas de cipó por sua vez atravessadas por paus que se apoiam sobre seus ombros. Outro pequeno grupo segue mais adiante conduzindo algumas cabeças de gado. O destino parece ser um platô onde, no alto, se vê um casario descontínuo pontilhado por algumas torres de igrejas que se erguem a pouca altura sobre os telhados dos demais edifícios. Para além desse elevado, no prosseguimento do caminho, pode-se ainda observar, vindo em direção contrária e tendo à frente homens encimando bandeiras, outros agitando suas espadas, seguidos por um grupo de pessoas armadas, atrás das quais seguem centenas de índios, muitos dos quais acorrentados e cercados por outros índios que, com lanças em punho ou porretes à mão, os conduzem em fila. Apesar da distância, percebe-se o grande número de mulheres e crianças, algumas de colo, que, abraçadas ou de mãos dadas, seguem enfileiradas. E, por fim, no lado oposto e à meia altura do quadro, num clarão da mata, se vê uma capela com um edifício anexo tendo vários casebres no entorno de uma larga praça assim formada, com inúmeros índios próximos à figura de um padre a gesticular e apontar para o céu!

Veja aqui a íntegra do texto > Capelas Rurais Paulistas dos séculos XVII e XVIII

Livros para conhecer melhor o Vale do Ribeira : Cem anos da imigração Japonesa > História, memória e arte

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“Dos escritos emergem sentimentos múltiplos, de ´almas dilaceradas ´, cujas projeções nem sempre realizadas, apontam o desejo ´doido ´de retorno ao país de origem. E, ainda, a descoberta por esses sujeitos de um sentimento novo, de não saber qual é exatamente o seu lugar ; se o Japão, outrora real, que paulatinamente vai-se tornando uma construção de sua imaginação, ou o Brasil, o lugar de efetivas conquistas e realizações. Essas ´vidas em suspenso´também foram projetadas em seus filhos e netos, que ainda carregam as ambiguidades e os dilemas desse legado, sinalizando para identidades híbridas ( quase esfareladas). Isto é o que apreendemos dos vários textos que compõem este livro, tanto dos de cunho acadêmico, artístico, poético e literário, como das narrativas pessoais dos sujeitos envolvidos nesse processo”.  Zélia Lopes da Silva

Leitura recomendada > Este livro faz parte do acervo da Casa do Patrimônio Vale do Ribeira. 

Livros para conhecer melhor o Vale do Ribeira – As Minas de Ouro e a formação das Capitanias do Sul

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“Em foco estão um tempo longo (1593-1830) , uma boa parte do Brasil à margem das políticas oficiais da Coroa Portuguesa e da economia de exportação vinculada à mão de obra africana, as Capitanias do Sul até muito recentemente consideradas pobres e periféricas, um vasto território relacionado à mineração, um sistema urbano que incluía metade dos núcleos do Brasil em fins do século XVII, a marginalidade historiográfica do objeto de estudo, a inédita metodologia de pesquisa. Nas linhas e entrelinhas de um discurso teórico profundo revelam-se camadas de tempos pregressos, até então inexplorados sob este ponto de vista .” Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno , sobre a obra de Nestor Goulart Reis.

Leitura recomendada > Este livro faz parte do acervo da Casa do Patrimônio do Vale do Ribeira.