Oficina de construção de rabeca busca atrair o interesse dos jovens pela cultura caiçara

artesao-rabecaPor Eliana Rocha

A Oficina de construção de rabecas , ministrada pelo artesão Odirlei, faz parte das Oficinas de Transmissão de Saber do projeto Gerando renda, motivando cidadãos coordenado pela AAPCI, e buscar atrair e despertar o interesse dos jovens pela cultura caiçara por meio dos instrumentos usados nos fandangos e reiadas.

Odirlei Franco de Lima, artesão e associado da Associação dos Artesãos e Produtores Caseiros de Iguape – (AAPCI), cresceu vendo o seu pai trabalhar com a caxeta na confecção de violas, rabecas e outros utensílios que usava no seu dia a dia de caiçara. “Desde criança eu tinha vontade de ter um instrumento e começar a tocar, pois eu cresci vendo meu pai fazendo viola, mas ele acabava vendendo o instrumento. Então, aos 14 anos, eu fiz o meu primeiro instrumento que foi um cavaquinho, mas depois vi que tocar não era tão simples quanto eu imaginava e continuei apenas a fazer instrumentos”, explica Odirlei. “Com o tempo eu parti para fazer outros tipos de instrumentos com a madeira e artesanatos como miniaturas de barcos e remos”.

TRADIÇÃO FAMILIAR – Os pais de Odirlei vieram da Jureia e, nos anos 60, quando a Jureia se tornou reserva ecológica, eles tiveram que se mudar para a Vila Nova, bairro próximo a Icapara. “O meu pai sabe fazer de tudo com a caxeta. Ele aprendeu com o avô e com o pai dele”, conta. “Ele me ensinou que a caxeta, quando você corta uma árvore nasce mais dois ou três troncos dela e se não cortar, aí com o tempo ela morre. Assim, quando você tira a caxeta você abre caminho para nascer mais e isto é um tipo de manejo sustentável”, explica o artesão. “Para o meu pai o trabalho com a caxeta sempre foi uma questão de sobrevivência, pois onde ele morava, na Jureia, eles precisavam aprender a fazer de tudo desde a canoa e o remo para a pesca até o pilão para socar o arroz, a farinha. O meu pai toca viola na folia de reis (reiada) e é fandangueiro. Já no meu caso, trabalhar com a madeira foi mais por gosto e para dar continuidade a técnica que ele me ensinou. Eu acabei me aprimorando e, hoje, faço outros instrumentos como a rabeca, a viola de dez cordas, cavaquinho, e costumo levá-los para o meu pai afinar e dar a aprovação”, complementa.

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ESTRUTURA DA OFICINA – A oficina foi dividida em duas etapas, a primeira etapa teve início no dia 23 de junho, quinta-feira das 14 às 18 horas no salão comunitário do bairro de Vila Nova. “Estimamos uma duração de 3 meses com aulas semanais de 4 horas. “O público é formado por mulheres, jovens e até artesãos que têm o interesse de aprender a construir seus próprios instrumentos. Acontecerá uma outra oficina que deve ser iniciada em agosto, também com duração de 3 meses e a mesma carga horáaria”, diz. “As vagas são para 10 pessoas por turma e eu pretendo repassar aos participantes o conhecimento de como construir instrumentos usando a caxeta e orientá-losar sobre o manejo da madeira. ”Eu vou ensinar aos alunos como aproveitar ao máximo a madeira para a fabricação da rabeca, pois hoje a extração da caxeta é bem restritiva”, explica o ministrante.

IMPORTÂNCIA DA CULTURA CAIÇARA – Para Odirlei a principal importância da oficina e do projeto Gerando renda, motivando cidadãos é a de buscar prender o interesse dos jovens para a cultura caiçara. “Quando eu era jovem eu não dava valor a esta cultura e dizia que viola e rabeca eram “coisa de velho”, o fandango era para pessoas de idade”, fala Odirlei. “Eu sempre vivi a cultura caiçara e participava de tudo, dos mutirões e depois ia para os bailes de fandango e não era muito defensor disto, como eu sou hoje”, explica o artesão. “Naquela época era mais natural, mas de um tempo para cá ficou mais difícil de acontecer e hoje eu dou mais valor. Eu aprendi a importância da cultura caiçara que meu pai teve que aprender por necessidade e agora eu quero manter esta cultura não pela necessidade como o meu pai, mas para preservar e não deixar esta tradição acabar!”

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2 pensamentos sobre “Oficina de construção de rabeca busca atrair o interesse dos jovens pela cultura caiçara

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