Oficinas de Transmissão de Saber da AAPCI capacitam artesãos de Iguape

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Por Eliana Rocha

A Associação dos Artesãos e Produtores Caseiros de Iguape – (AAPCI) por meio do projeto Gerando renda, motivando cidadãos, iniciou em maio as Oficinas de Transmissão de Saber, que têm como objetivo a capacitação de pessoas da comunidade em técnicas do artesanato e culinária tradicional para a geração de renda, além do fortalecimento da cultura tradicional por meio da construção de instrumentos como as rabecas, violas e alfaias.

Neste mês de maio as primeiras oficinas serão:

Construção de Instrumentos de Percussão – Alfaias – terças e sábados das 18 às 20 horas – com duração de três meses

O ministrante, Diego Shoji Ando, é professor de capoeira em Iguape. Em 2011, aprendeu, em São Paulo, com um grupo de Maracatu o passo a passo de como confeccionar tambores e alfaias e trouxe esta experiência para a cidade e, com o apoio da Oficina Gerson de Abreu, ministrou a sua primeira oficina. Em 2012, em parceria com AAPCI, apresentou os instrumentos às crianças do ensino fundamental de Iguape e também nas escolas de Ilha Comprida.

“A oficina será de três meses com quatro horas por semana, todas as terças e sábados das 18 às 20 horas. Os alunos que já são em um total de vinte, vão ter a oportunidade de criar seus próprios instrumentos e ainda ter uma renda fazendo aquilo que gosta”, fala o professor. “Futuramente, nós estamos pensando em criar um ateliê no mesmo espaço da oficina e uma cooperativa e a proposta do projeto Gerando renda, motivando cidadãos é compatível com as nossas ideias, além de ser uma ótima oportunidade para os jovens ganharem o seu próprio dinheiro. Tudo isto é muito satisfatório para todos!, finaliza Diego.

Confecção de Panelas de Barro do Jairê —  terças e quintas-feiras das 15 às 17 horas – três meses

Vanete Muniz Ferreira Campos é artesã e trabalha com as panelas pretas do Jairê há quinze anos. Foi aluna da reconhecida mestra de confecção de panelas pretas, Benedita Dias e hoje sente-se agradecida e responsável pela preservação deste saber tradicional do município de Iguape.

“A oficina de confecção de panelas de barro do Jairê são para aquelas pessoas, principalmente mulheres, que querem ter alguma renda para ajudar no orçamento familiar”, diz Vanete. “Em três meses eu vou ensinar como fazer desde peças pequenas, como cumbucas, até as panelas grandes. Primeiro, vou ensinar como bater o barro, deixá-lo macio, fazer os rolinhos de barro que é a técnica de acordelamento, com as mãos formar as peças, fazer o alisamento, lixar e queimar as peças confeccionadas na oficina”, explica. “O processo às vezes pode ser demorado, mas vai depender da vontade da pessoa em querer treinar bastante e aprender, porque o processo é simples e é o capricho que vai fazer as peças ficarem bonitas. Tem pessoas que têm o dom para ser artesão e outras têm mais dificuldades, mas, no meu caso, fazer as peças é muito mais que uma fonte de renda, é uma terapia!”, finaliza a artesã.

No mês de junho serão abertas as inscrições para as oficinas de construção de rabecas, de construção de viola caiçara e de confecção de doces e compotas.

Os interessados em participar das oficinas do Projeto Gerando renda, motivando cidadãos podem entrar em contato pessoalmente ou por telefone no Mercado de Artesanato e Cultura, Av. Princesa Isabel, 708, centro – das 9:00 às 17:30h todos os dias. Tel.: (13) 3841-1016. As inscrições são gratuitas, mas limitadas.

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FINANÇAS SOLIDÁRIAS E BANCOS COMUNITÁRIOS FORAM OS TEMAS DA PALESTRA MINISTRADA POR RAFAEL MESQUITA

 Em continuidade as palestras sobre o tema “Economia Solidária”, iniciadas no ano passado com Rosana Rocha do IDESC, no dia 20 de maio passado, atendendo ao convite da Associação dos Artesãos e Produtores Caseiros de Iguape – (AAPCI) Rafael Mesquita, sociólogo e fundador do Banco Comunitário – União Sampaio, compareceu à sede do projeto Gerando renda, motivando cidadãos, para ministrar a palestra “Finanças Solidárias”.

 Papel fundamental no desenvolvimento solidário das comunidades – Rafael Mesquita é um dos fundadores do Banco Comunitário União Sampaio, fundado em 2009, na comunidade de Campo Limpo, na zona sul da cidade de São Paulo. Ele apresentou aos presentes o conceito de Economia Solidária, o papel das finanças solidárias e dos bancos comunitários na construção do desenvolvimento solidário das comunidades, explicando como funciona um banco comunitário, as formas e as políticas de crédito que um Banco Comunitário de Desenvolvimento – (BCD) precisa ter e os desafios enfrentados nas comunidades. “Para a criação de um BCD, primeiro é preciso buscar um engajamento das pessoas na comunidade. Geralmente estas pessoas estão organizadas em entidades, associações de bairro, movimentos sociais, empreendimentos da economia solidária, governo local, etc… São esses grupos que irão movimentar a comunidade em torno da ideia de um banco comunitário”,  explicou o sociólogo.

Pequenos empréstimos, gerando pequenos negócios – A ideia dos pequenos empréstimos (microcrédito), começou em 1976, quando Professor e Nobel da Paz Muhammad Yunus, com apenas USD 27 começou a emprestar a 42 mulheres que viviam abaixo da linha da pobreza na vila de Jobra, em Bangladesh.

Essas moradoras viviam em um ciclo de miséria, presas a agiotas locais. Com o empréstimo realizado elas puderam pagar suas dívidas e começar pequenos negócios. Este pequeno experimento teve um grande efeito, os empréstimos foram pagos, gerando novos empréstimos e a vida da população de Jobra mudou desde então. Inspirado pela experiência positiva, e percebendo quanto impacto podia ser gerado com uma pequena quantidade de dinheiro, o Professor Yunus fundou o Grameen Bank, com a finalidade de emprestar dinheiro (microcrédito) para pessoas que não teriam acesso a capital em bancos comerciais tradicionais. (Fonte:Yunus Negócios Sociais-Brasil – http://www.yunusnegociossociais.com)

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Desta forma, surgiu, em todo mundo, o conceito de negócios sociais que são empresas que têm como a única missão solucionar um problema social; são autossustentáveis financeiramente e não distribuem dividendos. Assim, também, é o princípio das finanças solidárias.

Caixa solidário, uma saída! — Segundo Anísia Lourenço, a AAPCI já vem há algum tempo discutindo a ideia de ter um caixa destinado às finanças solidárias, “Nós notamos que muitos artesãos e produtores passam por dificuldades financeiras, o que prejudica a produção e a sua participação em feiras”, fala. “Com o caixa solidário poderíamos emprestar pequenas quantias aos artesãos que necessitassem de dinheiro em um momento de dificuldade, desta forma eles podem continuar com sua produção ou mesma ampliá-la para poder participar de outros pontos de venda. Hoje,  os artesãos e produtores caseiros têm muita dificuldade de trabalhar com os bancos comerciais tradicionais, devido as exigências para uma abertura de conta e um pedido de empréstimo, que não condizem com a realidade deles”, explica Anísia. “Eu acredito que a melhor saída para a AAPCI é ter um caixa solidário para pequenos empréstimos aos associados e com o passar do tempo poderíamos ampliar os serviços de finanças solidárias”, finaliza.

Mario Spínula Filho, artesão e associado da aapci falou sobre a palestra – “A palestra do sociólogo Rafael Mesquita foi muito proveitosa, pois ele falou de vários aspectos de um Banco Comunitário, que é um dos itens da Economia Solidária. Ele esclareceu nossas dúvidas sobre como funciona um Banco Comunitário e a moeda social e como este mecanismo pode ajudar no crescimento da economia de uma região”, diz o artesão. “ A AAPCI já é parceira da Rede de Economia Solidária, e isto não é por acaso, uma vez que praticamos a autogestão. Nós, os associados, somos nossos próprios patrões e a matéria-prima que usamos para confecção do artesanato é extraída da região local e, além do Mercado de Artesanato e Cultura onde vendemos nossos produtos e artesanatos, também participamos da feira do produtor rural aos domingos. Este é o verdadeiro conceito de Economia Solidária: criamos, produzimos e vendemos nossos produtos e com isto geramos a nossa renda!”, finaliza Mario.financassolidarias_rafaelmesquita

Em 2006, foi criada a Rede Brasileira de Bancos Comunitários, visando a consolidação de políticas públicas e ações que fortaleçam a atuação destes bancos em suas comunidades. Existem atualmente cerca de 100 bancos comunitários de 19 estados de várias regiões do país, sendo 9 bancos no estado de São Paulo. (Fonte: Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão em Economia Solidária (NACE/NESOL – Universidade de São Paulo)

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