Primeira etapa das obras de restauro da Igreja Matriz de Itu (SP) é concluída

Maior igreja barroca do Estado de São Paulo, a Matriz de Nossa Senhora da Candelária de Itu, terá a primeira parte da sua obra de restauração de bens móveis e integrados entregue à população no dia 28 de fevereiro. Contemplado pela Lei Rouanet, o projeto de restauro possibilitou revelações, como pinturas nas paredes que estavam cobertas por tinta há mais de um século. A continuidade dos serviços promete expor outras riquezas escondidas nos altares colaterais do arco-cruzeiro e da nave.

Proposto pela OSCIP Museu a Céu Aberto, o projeto de restauro (Pronac nº 10-12592) contou com recursos da Lei Rouanet, via incentivo fiscal, sendo 50% dos recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e da 50% da Prefeitura da Estância Turística de Itu.

Para que a restauração da Igreja Matriz seja completa, é necessário um projeto complementar para a inclusão dos demais elementos artísticos como o arco do cruzeiro, altar de Nossa Senhora do Rosário, altar de São Miguel, capela do Divino Espírito Santo, capela de Nossa Senhora das Dores, capela de São Francisco, capela de Nossa Senhora da Boa Morte e capela de Nossa Senhora de Lourdes.

A primeira fase das obras começou no segundo semestre de 2014, como parte das celebrações dos 406 anos da cidade. A restauração tem revelado muitos dados inéditos e, do ponto de vista metodológico, o contato permanente entre os técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em São Paulo (Iphan/SP) e a equipe de restauro vem agilizando as decisões interventivas e proporcionando a otimização do trabalho.

O licenciamento, fiscalização e acompanhamento geral do restauro são feitos pelo Iphan e pela Secretaria Municipal de Cultura de Itu, sendo o projeto e os serviços gerenciados pela OSCIP Museu a Céu Aberto; o restauro de esculturas, pinturas e douração feitos pela empresa Julio Moraes Conservação e Restauro; o tratamento de madeiras e suporte operacional para as obras de restauro pela Inspirati Arte, Cultura e Comunicação; e o suporte técnico de engenharia e logística da VEC Engenharia e Gestão.

A aprovação dos projetos, fiscalização e acompanhamento geral do restauro, assim como diferentes pesquisa histórica que se fizeram necessárias foram efetuadas  regularmente pelo Iphan/SP.

Descobertas
A remoção de camadas de repinturas espúrias, nos taboados que revestem as paredes laterais da capela-mor, revelou cenas do Antigo Testamento da Bíblia, à moda de azulejaria em azul e branco, de autoria do até então desconhecido artista Matias Teixeira da Silva, executadas em 1788.

Além disso, a retirada das diversas repinturas na talha do altar-mor, revelou trabalho de esmerado escultor também desconhecido, Bartolomeu Teixeira Guimarães. Também no altar, foi descobreta a pintura e douração pelo Mestre José Patrício da Silva Manso que, após o restauro, voltou a resplandecer sobre as vastas camadas de folheados em prata, nas quatro colunas salomônicas. A pintura, assim como o uso extensivo de folheação à prata e ouro, foram utilizados originalmente em proporção incomum.

As pinturas de Jesuíno do Monte Carmelo, localizadas nas paredes laterais da capela-mor, também passaram por restauração e o resultado será apresentado no dia 28. Somente a douração das molduras dessas telas somam mais de cem metros de comprimento.

Além de todos os benefícios de uma restauração desta amplitude, também se configura um panorama até então desconhecido, com Itu como um importante centro de produção artística no século XVIII, e revelam-se obras inéditas que vêm reconstruir a história colonial do Estado de São Paulo. Também demonstra a eficiência do trabalho integrado de restauradores e historiadores, estudando conjuntamente “in loco” os indícios e traços diversos que toda intervenção de restauro revela, e assim aproveitando oportunidades únicas para uma revisão científica da história.

A Matriz 

Inaugurada em 1780, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária de Itu foi inscrita nos livros do tombo Histórico e Belas Artes do Iphan em dezembro de 1938 e é tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo).

A Matriz encontra-se bastante íntegra, preservando os seus sete altares, quatro oratórios menores, dezenas de imagens dos séculos XVIII e XIX, diversos quadros e grandes quantidades de mobiliário e alfaias. A capela-mór possui um excepcional forro policromado de autoria de José Patrício da Silva Manso, doze grandes telas do padre Jesuíno do Monte Carmelo e as paredes revestidas de madeira, recobertas de pinturas descobertas recentemente.

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