Iphan participa de discussões sobre o Valo Grande, em Iguape/SP

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O Iphan, através da Casa do Patrimônio Vale do Ribeira foi convidado pelo ICMBio a participar das reuniões em forma de workshop do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental APA – Cananéia, Iguape e Peruíbe que tratam sobre diversos temas relacionados à proteção ambiental, cultural, arqueológica e histórica da região.

A reunião mais recente aconteceu nesta terça feira (7), na sede da APA-CIP, em Iguape, com a presença de representantes do Instituto Bioma Brasil, Prefeitura de Iguape, Câmara Municipal, Fundação Florestal , Colônia de Pescadores Z7 e representantes de comunidades locais. Antes dos debates o chefe da APA, Márcio Barragana mostrou de forma sucinta a dinâmica dos trabalhos de revisão do Plano de Manejo. A seguir a bióloga Marília Cunha Lignon, do Instituto Bioma Brasil ,apresentou um painel sobre os “Manguezais do Litoral Sul de SP e o Valo Grande”.

Construído entre 1827 a 1855, e projetado para facilitar o transporte de arroz produzido na cidade de Iguape até o porto local, causou alterações ambientais progressivas que se agravaram no passado recente. O canal levou à formação do delta do Valo Grande no interior da laguna costeira. Isso, segundo os pesquisadores, se deu em função do intenso processo de assoreamento causado pela erosão das margens do canal e pelos sedimentos provenientes do rio Ribeira.

Como resultado do alargamento do canal, aproximadamente 60% do fluxo do rio foi transferido para o sistema lagunar, de água salobra, provocando a diminuição drástica da salinidade e seu assoreamento. Ao mesmo tempo, a grande infiltração de água doce reduziu as áreas de mangue, que foram substituídas por vegetação de água doce.

Quando concluído, o Valo Grande tinha 4,4 metros de largura, dois de profundidade e aproximadamente 4 quilômetros de extensão. Ao longo de 150 anos desde a sua abertura, contudo, a força das águas do rio Ribeira aumentou a largura do canal, que hoje chega a quase 300 metros e sete metros de profundidade. As águas desviadas do rio, carregadas de sedimentos lamosos, aos poucos provocaram intenso assoreamento e inviabilizaram o Porto de Iguape, já que as embarcações não mais podem atracar,

Hoje , a questão está judicializada.

O MPE requer que o Estado de São Paulo realize a dragagem do rio Ribeira , no trecho do Ribeira Velho das Três Barras até a foz, na Barra do Ribeira, e  o imediato controle e retirada das vegetações macrófitas que estão expondo a risco de perecimento os manguezais do complexo Estuarino-Lagunar, especialmente o Mar Pequeno, de modo a impedir que este dano ambiental ocorra ou que a degradação agrave-se.

O caso subiu ao Supremo Tribunal Federal, onde , em decisão monocrática o ministro Ricardo Lewandowski ratificou a ação promovida pelo Ministério Público Estadual.

O Valo Grande se situa dentro da área de tombamento do Centro Histórico de Iguape.

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