Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 3

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Principal ligação entre a Colônia e Iguape era por barcos. Meio de transporte em 1940 . A Segunda Guerra Mundial e a implantação de rodovias na região afetaram diretamente o desenvolvimento da Colônia

Por Rafael Peroni

Nas duas primeiras matérias especiais da Série 100 de Colonização Japonesa no Brasil, contamos a história do surgimento e do desenvolvimento rápido e promissor da Colônia Katsura, instalada no bairro do Jipovura, em Iguape. Nesta reportagem iremos começar a abordar a decadência e o retrocesso dos núcleos de colonização.

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E O RETROCESSO

Após um desenvolvimento rápido e animador, a Colônia Katsura, já com três núcleos formados (Registro, Sete Barras e Iguape) viu todo o progresso ir por “água a baixo” com a chegada da Segunda Guerra Mundial em meados de 1938.
O Japão que já estava em guerra com a China na Segunda Guerra Sino-Japonesa na busca de anexar áreas da China ao seu território, entrou na batalha mundial ao lado da Alemanha de Hitler e da Itália de Mussolini, formando o Eixo.
Durante esse período a Companha de Imigração Kaigai Kogyo Kabushiki Kaixa (KKKK) viu-se obrigada a encerrar suas atividades no Brasil, fato que provocou um imenso retrocesso no núcleo, uma vez que deixou de subsidiar, ou financiar a Colônia Katsura. De acordo com historiadores, esse não teria sido o único motivo desse declínio. A implantação de rodovias na região provocou também uma mudança de meio de transporte, passando o transporte terrestre ser mais utilizado, fato que prejudicou o núcleo que dependia exclusivamente dos barcos para transportar seus produtos.
Com a remessa de produtos se tornou deficiente, vários proprietários optaram por se mudar do Jipovura. As embarcações já não mais atracavam no porto da Colônia. Em 1968, o núcleoKatsura que no seu auge chegou a ter 35 famílias residindo no local, passara a ter apenas nove famílias. As construções como o prédio do Correio, as Escola, a primeira Igreja Católica construídas por japoneses foram se deteriorando com o tempo, restando apenas um “botequim”.
As quotas da Companhia de Imigração foram vendidas e liquidada em 1945, quando foram vendidas todas as quotas dessa sociedade e também uma grande gleba de terras no Jipovura. A maioria das famílias japonesas ali radicadas foi obrigada a deixar o local e ir para Iguape ou para outras cidades da região ou do interior do Estado. Chegava ao fim, após breve surto de progresso, a história da primeira colônia de imigrantes japoneses que se instalou no país e que muito contribuiu para o progresso do Brasil.

REGISTRO

Como a Companhia de Imigração KKKK realizou seus maiores investimentos no núcleo que hoje seria na região de Registro, mas na época eram terras iguapenses, chegando a instalar um escritório de administração, o núcleo foi o que mais se desenvolveu. Em 1931 mais de 320 famílias já residiam no local, somando 1.403 pessoas. Ediferentemente dos japoneses do bairro do Jipovura, conseguiram se manter mesmo com a chegada da Segunda Guerra Mundial. Após a guerra, a cultura do Chá se tornou o principal produto agrícola, seguido pela banana e abacaxi, desbancando o arroz, a cana-de-açúcar dentre outros. Esse quadro se mantém até os dias atuais.

BIBLIOGRAFIA
Iguape, Nossa Histórias – FORTES, Roberto
O Imigrante Japonês – História de sua vida no Brasil – T. A Queiroz, EDITOR

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3 pensamentos sobre “Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 3

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