Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 2

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Convite do governo japonês à Colônia Katsura

Por Rafael Peroni

Em nossa última edição demos início a uma série de reportagens para contar os 100 anos da Colonização Japonesa no Brasil. No primeiro “capítulo”, lembramos como tudo começou, e como e quando as primeiras 36 famílias chegaram e se instalaram no bairro do Jipovura, em Iguape. Agora iremos dar sequência nos fatos, abordando como foram os primeiros anos da Colônia Katsura.

AS PRIMEIRAS COLHEITAS E O DESENVOLVIMENTO DA COLÔNIA KATSURA

Os japoneses que aqui (Iguape) chegaram, logo deram início ao plantio do arroz, cultura que os técnicos da Companhia Colonizadora Takushoku Kaixa haviam previsto para o local. No primeiro levantamento estatístico realizado pela Colônia, entre 1914 e 1915, consta que foram destinados 3.962 alqueires para o cultivo do arroz.

Já na colheita seguinte a área destinada ao plantio mais que dobrou de tamanho, passando a 8.840 alqueires, e além do arroz, plantou-se também feijão e milho, esses para o próprio consumo.  Os rizicultores conseguiam entre 70 e 100 sacas de arroz por alqueire. No campo de demonstração “Jeremias Júnior”, os engenheiros agrônomos Massao Hashida e Katsumi Fujita experimentavam outras culturas como a cana-de-açúcar, batata, cebola, alfafa, algodão, soja japonesa e do bicho-da-seda.

Em 1915, novos colonos chegaram ao Jipovura, e a população era de 121 pessoas. Já em 1916 esse número subira para 136 indivíduos. O número de casas chegou a 20. Em 1917, já somavam 52 famílias na Katsura, totalizando 213 pessoas. O sucesso da Colônia, e os bons resultados na agricultura incentivaram os imigrantes japoneses que esperançosos passaram por uma mudança de mentalidade, e começaram a planejar a longo prazo, o que incluía a ideia de se instalarem permanentemente no Brasil, e não apenas conseguir dinheiro para voltar ao país de origem.

Esse segundo alguns historiadores foi o grande mérito da Colônia Katsura, do núcleo Iguapense. Ter sugerido pela primeira vez, aos imigrantes japoneses a possibilidade da fixação de residência no Brasil.

Em pouco tempo a Colônia Katsura transformou-se num dos principais centros produtores do Vale do Ribeira, e já possuía o próprio porto. A produção agrícola era avaliada em milhares de contos de réis. No Jipovura havia quatro engenhos de arroz, casas de comércio, agência de correio, escola, Igreja Católica e açougue. Na época os moradores de Iguape chegavam a ir até a localidade para fazer compras, em razão da variedade de produtos e o preço mais em conta.

O acesso ao Jipovura só era feito através do Rio Ribeira de Iguape. A 20 quilômetros do Centro Histórico, uma viagem que normalmente tinha tempo médio de uma hora, poderia demorar, às vezes, até cinco horas, pois os vapores da Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista eram muito lentos.

EXPEDIÇÃO

Em 1937, uma expedição arqueológica japonesa, chefiada pelo arqueólogo Dr. Kiju Sakai, nos meses de abril a junho, efetuou escavações no local, onde existiam vários sambaquis, ali deixados, milênios atrás, pelos indígenas que habitaram o Jipovura. Nessas escavações, trabalharam 176 pessoas e mais os jovens da colônia, sendo o custo dos trabalhos avaliado em 2:015$900 réis (dois contos, quinze mil e novecentos réis), com recursos liberados pelo governo japonês. Os resultados dessas escavações foram publicados por importantes entidades científicas do Japão e, recentemente, pelo Instituto Paulista de Arqueologia.

REGISTRO E SETE BARRAS

Quando os primeiro colonos vieram para a região do Vale do Ribeira, em 1913, Iguape abrangia boa parte da região, e os municípios de Registro e Sete Barras eram terras iguapenses. Em 1914, as três primeiras famílias se instalaram na região que hoje pertence a Registro. Quando a Companhia de Colonização no Brasil foi encampada pela Kaigai Kogyo Kabushiki Kaixa (KKKK), em 1919, a região que seria chamada de núcleo de Sete Barras foi somada ao núcleo de Iguape, porém a colonização ocorreu apenas no ano seguinte. Passando assim a serem três núcleos (Registro, Sete Barras e Iguape).

Em 1917, o núcleo de Registro já se mostrava o mais produtivo, atraindo milhares de pessoas. Já aportavam por lá 679 famílias e mais de 3 mil imigrante s. Nas terras que hoje pertencem a Sete Barras o número de famílias chegava a 329. Porém, vale ressaltar que até 1945 Registro pertencia a Iguape. Já Sete Barras esteve sobre domínios iguapenses até 1959.

BIBLIOGRAFIA

Iguape, Nossas Histórias – FORTES, Roberto
O Imigrante Japonês – Histórias de sua vida no Brasil – T.A. QUEIROZ

Leia também a Iguape, Primeiro Núcleo da Colonização Japonesa no Brasil Parte 1

                             Iguape, Primeiro Núcleo da Colonização Japonesa no Brasil Parte 3

                             Iguape, Primeiro Núcleo da Colonização Japonesa no Brasil Parte 4

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3 pensamentos sobre “Deu na Gazeta Caiçara : Iguape, primeiro núcleo de colonização japonesa no Brasil > parte 2

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